Venda Nova do Imigrante (ES) – O amanhecer desta terça-feira, 9 de abril, marcou o início de uma ofensiva coordenada pela Polícia Federal contra um dos maiores esquemas de criminalidade transnacional descobertos recentemente. Batizada de Sicarius I e II, a operação se espalha por sete estados brasileiros — Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Pará — em um esforço para desarticular uma organização estruturada em torno do contrabando, da corrupção e da lavagem de dinheiro.
O efetivo policial trabalha no cumprimento de 120 ordens judiciais, sendo que 58 delas são mandados de prisão e outros 62 visam buscas e apreensões em endereços ligados ao grupo criminoso. O foco da investigação é uma quadrilha que operava com divisões de tarefas bem definidas, especializando-se na importação ilegal de agrotóxicos e no contrabando de cigarros. A operação também mapeou crimes paralelos, como a falsificação sistemática de placas veiculares e documentos oficiais para facilitar a circulação da mercadoria ilícita pelo território nacional.
A inteligência da Polícia Federal identificou que o lucro gerado por essas atividades passava por um complexo sistema de ocultação. Para lavar o dinheiro, o grupo utilizava uma rede de empresas de fachada e testas de ferro, os famosos laranjas, camuflando o real patrimônio acumulado com o crime. Até o momento, o balanço parcial da ação aponta a apreensão de armamento diverso, incluindo espingardas, pistolas e revólveres, além de um farto material documental que deve auxiliar nas próximas etapas do inquérito.
O impacto financeiro contra o grupo foi imediato. A Justiça determinou o bloqueio de mais de 40 contas bancárias vinculadas aos suspeitos e autorizou o cancelamento de diversos CPFs e CNPJs utilizados pela organização. O braço fiscal também entrou em cena, com a instauração de quase 70 procedimentos administrativos contra empresas espalhadas por 12 estados, visando rastrear o rastro tributário dessas operações ilegais.
A investigação não deve se limitar às fronteiras brasileiras. As autoridades já viabilizaram medidas de cooperação jurídica internacional, buscando rastrear ativos e estruturas que o grupo mantinha fora do país. O objetivo central é mapear até onde as ramificações do grupo chegaram e identificar outros personagens que compõem a engrenagem transnacional desse esquema criminoso.






























































































