A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA), completa uma década de operação oficial sob o peso de críticas persistentes. O projeto, idealizado ainda nos anos 1970 para explorar o potencial energético do Rio Xingu, transformou drasticamente a rotina de populações locais, como a de Élio Alves da Silva, pescador que viu sua subsistência e seu modo de vida desaparecerem com as obras.
Desde o início das sondagens, marcadas por detonações e supressão vegetal, a região sofreu alterações profundas. O desvio de 80% do fluxo do rio em um trecho de 130 quilômetros não apenas alterou a paisagem, mas também dizimou a biodiversidade aquática. Espécies nativas que sustentavam a economia e a dieta de centenas de famílias tornaram-se escassas, forçando o deslocamento compulsório de comunidades inteiras.
Impactos na subsistência e segurança alimentar
O processo de reassentamento foi marcado por promessas não cumpridas e desarticulação social. Famílias foram separadas e enviadas para locais distantes, muitas vezes sem qualquer suporte produtivo ou financeiro. Para muitos, como Élio Silva, a transição significou a perda da autonomia, resultando na dependência de auxílios externos e na perda de registros profissionais essenciais para a pesca artesanal.
A realidade de Sara Lima, moradora de Anapu (PA), ilustra o outro lado do impacto: a insegurança alimentar. Mesmo permanecendo em sua terra, sua família viu o rio “morrer” gradualmente. A perda da fartura de peixes, que antes compunham a base da dieta local, foi substituída pela precariedade:
- Perda da biodiversidade: Espécies como tucunaré e dourada tornaram-se raras.
- Crise hídrica: O acesso à água potável tornou-se um desafio constante.
- Dependência externa: A dieta baseada em recursos naturais deu lugar a alimentos processados de baixo valor nutricional.
O balanço após dez anos de operação revela que, enquanto a energia gerada abastece o país, as comunidades do Xingu arcam com os custos sociais e ambientais. A promessa de desenvolvimento e infraestrutura, na visão dos moradores, não compensou a destruição de um ecossistema que, por gerações, garantiu a dignidade e a soberania alimentar de quem vivia às margens do rio.





































































































