Rio de Janeiro (RJ) – A convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo, anunciada na última segunda-feira (18), no Rio de Janeiro, trouxe Neymar como o nome que domina as discussões. Após um longo período de afastamento dos gramados e uma série de lesões que marcaram seu ciclo recente, o atacante retorna ao grupo sob o comando de Carlo Ancelotti. A decisão dividiu opiniões entre especialistas, que enxergam a escolha tanto como uma aposta técnica quanto como um movimento de peso simbólico e comercial para o elenco.
A presença do camisa 10
Para Sergio du Bocage, a inclusão de Neymar não chega a ser uma surpresa, mas evidencia que o atual grupo brasileiro carece de protagonistas com a estatura que o jogador já ostentou no passado. O jornalista questiona se, aos 34 anos e atuando pelo Santos, o atleta mantém o ritmo exigido pelo nível de uma Copa. Segundo ele, a ampliação da lista para 26 nomes facilitou a entrada de Neymar, que possivelmente ficaria fora se o limite fosse o tradicional formato de 23 atletas.
Bruno Mendes e Marcelo Smigol defendem a convocação, embora por razões distintas. Mendes ressalta o respeito que a camisa 10 impõe no cenário mundial. Já Smigol adota uma postura pragmática: acredita que deixar o jogador de fora seria um risco maior, gerando questionamentos constantes. Convocá-lo é uma forma de testar se ele ainda consegue ser útil dentro das quatro linhas. Enquanto isso, Rodrigo Ricardo aponta uma pressão externa, vinda de patrocinadores e da opinião pública, como fator determinante. Para ele, o técnico evitou um embate desnecessário ao incluir o maior artilheiro da história da seleção, tratando a convocação mais como uma composição de elenco do que como uma aposta em titularidade.
Rachel Motta levanta outra questão tática: o encaixe. Com Vinícius Júnior consolidado na ponta esquerda, a função de Neymar no esquema de Ancelotti permanece uma incógnita. É pouco provável que o veterano atue no meio-campo, o que gera o desafio de encontrar uma posição que não sacrifique o equilíbrio defensivo da equipe.
Novidades e lacunas
Além do caso Neymar, a lista trouxe nomes que geraram debate. O goleiro Weverton, do Grêmio, ganhou espaço após falhas de outros concorrentes, como Bento e Hugo Souza, em momentos decisivos. No ataque, a convocação de Rayan, do Bournemouth, foi celebrada como uma grata surpresa. O jogador, que se destacou na Premier League, vive uma fase ascendente que justificou a confiança da comissão técnica. O zagueiro Léo Pereira, do Flamengo, também foi lembrado, reforçando o setor defensivo.
A situação de Lucas Paquetá, por sua vez, gerou discordâncias. Enquanto parte dos analistas vê o meia como uma opção valiosa pela experiência internacional, outros lembram que o jogador não vinha em seu melhor momento. Ainda assim, a experiência de Paquetá em grandes palcos parece ter pesado a favor de sua permanência no grupo, superando outros nomes que perderam rendimento.
Ausências sentidas
A exclusão de Pedro, artilheiro do Campeonato Brasileiro, foi o ponto que mais gerou lamento entre os observadores. Mesmo presente na pré-lista, o atacante acabou preterido em favor de Igor Thiago, do Brentford. A leitura dos especialistas é que Ancelotti deu preferência a um estilo de jogo mais adaptado às exigências do futebol europeu. Embora a ausência seja sentida, a conclusão é que, independentemente dos nomes, o Brasil possui material humano suficiente para realizar uma campanha sólida. A expectativa agora é que o coletivo se ajuste a tempo de buscar o hexacampeonato nos gramados da América do Norte.

































































































