Belterra (PA) – No Dia Mundial das Abelhas, o programa Viva Maria traz um alerta urgente de João do Mel, referência na meliponicultura em Belterra, no Pará. Cercado por extensões de plantações de soja, ele testemunhou uma transformação radical na paisagem e na vida dos insetos nas últimas duas décadas.
O impacto nos números é desolador. João relata que, há vinte anos, uma colmeia rendia entre seis e sete quilos de mel; hoje, a produção mal chega a meio quilo. O culpado? O veneno que viaja pelo vento e pela chuva, contaminando tanto o pasto baixo quanto a vegetação mais alta.
Não é apenas o agrotóxico. O desmatamento e as queimadas constantes destroem o habitat essencial para abelhas com ferrão, sem ferrão e outros polinizadores solitários. Sem esses agentes, a biodiversidade e a própria agricultura da região perdem seu motor biológico — um prejuízo que vai muito além da perda de mel.
João, que já chegou a gerenciar mais de mil caixas de abelhas, descreve um cenário de resistência. Antes, ele conseguia reservar parte da produção para garantir a sobrevivência das colmeias durante o inverno. Agora, o desafio é manter a vida em um ecossistema sob constante pressão.





































































































