São Paulo (SP) – Duas décadas após os episódios que ficaram conhecidos como Crimes de Maio, o movimento Mães de Maio retomou a luta por justiça de forma simbólica. Em um seminário realizado na sede da OAB-SP, familiares de vítimas e organizações como a Conectas Direitos Humanos e a Iniciativa Negra lançaram a segunda fase do Tribunal Popular. A iniciativa busca preencher um vazio deixado pela ausência de responsabilização formal do Estado brasileiro pelos assassinatos ocorridos em 2006.
O advogado Gabriel de Carvalho Sampaio, diretor da Conectas, sublinha que o tribunal não se propõe a ser um rito jurídico convencional, mas uma instância de julgamento ético e político. Para as mães, que aguardam respostas há 20 anos, o espaço funciona como uma ferramenta para denunciar a impunidade e exigir que o Estado reconheça as violações cometidas. A proposta visa articular setores da sociedade civil para pressionar por mudanças estruturais nas políticas de segurança pública.
Camila Torres, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, ressalta que o projeto dá voz a populações periféricas e negras, historicamente as maiores atingidas pela violência policial. Segundo Débora Maria da Silva, fundadora do movimento e mãe de Edson Rogério, um dos mortos em 2006, o objetivo atual é medir o avanço da letalidade nas periferias. “A violência se expandiu cada vez mais dentro das favelas desde aquele período”, aponta.
O cronograma do Tribunal Popular prevê uma série de oitivas, escutas territoriais e debates que se estenderão até 2027, quando um relatório final será apresentado. O objetivo é documentar o impacto dos ataques do PCC e da retaliação policial subsequente, que deixou mais de 500 mortos, segundo dados citados em reportagem do Feed Editoria. A iniciativa pretende, acima de tudo, questionar um modelo de segurança que, na visão dos organizadores, perpetua a desigualdade e a criminalização das vítimas.

































































































