Guarapari (ES) – O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) marcou os 20 anos dos Crimes de Maio de 2006 em um ato solene em Santos (SP). O evento reuniu familiares de vítimas, pesquisadores e representantes do poder público para discutir justiça e o enfrentamento à violência estatal, conforme reportado pela Agência Gov.
Eduardo Luz, secretário nacional substituto de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, reconheceu que o Estado falhou por décadas ao não oferecer respostas a essas famílias. Ele destacou o papel fundamental do Movimento Independente Mães de Maio, mulheres que transformaram o luto em uma ferramenta política de resistência contra a invisibilidade imposta pelo poder público.
A cerimônia foi organizada pelo Projeto Enfrentação, do CAAF/UNIFESP, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública. O governo federal agora aposta em medidas concretas, como a nova Estratégia Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Institucional e a criação do Centro de Memória das Vítimas de Violência do Estado (CMVV).
O CMVV será o primeiro equipamento público federal voltado especificamente à preservação da memória de quem sofreu com abusos institucionais. Para Luz, a escolha da Baixada Santista para abrigar o centro não é casual: é um território marcado historicamente pela resistência e pela luta contra a naturalização da morte de jovens negros e periféricos.
O massacre de 2006
Os Crimes de Maio de 2006 representam uma das páginas mais sombrias da história recente do Brasil. Entre os dias 12 e 21 daquele mês, uma onda de ataques do PCC e a subsequente reação das forças de segurança deixaram mais de 560 mortos em São Paulo — a maioria composta por jovens pobres e negros, com fortes indícios de execuções sumárias.
Para manter o debate vivo, o movimento das Mães de Maio lançou, em maio de 2026, o Tribunal Popular Mães de Maio. Esta iniciativa simbólica pretende investigar, ao longo do próximo ano, os desdobramentos do racismo estrutural e as falhas nas investigações que, por duas décadas, impediram que muitas famílias alcançassem a justiça integral.

































































































