São Paulo (SP) – O clima de Copa do Mundo ocupou as dependências do Sesc em São Paulo. Com uma proposta que foge do óbvio, a rede transformou suas unidades em centros de convivência e reflexão sobre a cultura futebolística. O projeto, batizado de Sesc na Copa, não se limita ao óbvio placar das partidas; ele busca ampliar a compreensão do público sobre o esporte através de debates, exposições, vivências práticas e encontros com nomes que conhecem profundamente o meio.
Mário Augusto Silveira, assessor técnico da Gerência de Esportes do Sesc, explica que a ideia central é fomentar uma relação mais equilibrada com a modalidade. A programação foi estruturada em três eixos temáticos distintos. O primeiro, intitulado Cultura, Memória e Arquibancada, mergulha na trajetória das equipes e na carga simbólica das Copas. O objetivo, segundo Silveira, é ir além da glória dos campeões e resgatar histórias dos que ficaram pelo caminho, tratando o futebol como uma linguagem social complexa.
O segundo pilar da iniciativa foca em gênero e diversidade, abrindo espaço para discussões que questionam padrões tradicionais nas arquibancadas e nos gramados. Já o terceiro eixo é o convite prático: o público é incentivado a entrar em quadra com festivais esportivos e jogos. Com 44 unidades participando, o Sesc totaliza mais de 200 atividades diferentes pelo estado, adaptando o tema central às particularidades de cada região. O Sesc 24 de Maio, no centro da capital, terá narração ao vivo e até DJs em jogos do Brasil e de seleções africanas, enquanto o Sesc Pinheiros também integra o circuito de transmissões.
Na tarde da última quinta-feira (11), o Sesc Pompeia, na zona oeste, serviu como palco para a abertura da Copa. O público pôde acompanhar a cerimônia realizada na Cidade do México, com direito a apresentações de Shakira, Burna Boy e outros artistas internacionais, seguidas pelo confronto entre México e África do Sul. O ambiente foi preparado com miniarquibancadas, mesas para trocas de figurinhas e um telão de grandes proporções.
Entre os presentes, a diversidade de expectativas era nítida. O músico Bonfim, de 79 anos, aproveitou a rotina de exercícios na unidade para emendar o almoço com a abertura do torneio. Já a aposentada Bárbara Clara, que não dispensou a camisa da seleção e tiaras temáticas, ressaltou o prazer de torcer em um ambiente coletivo. Para o grupo de amigas formado por Sandra Regina Monteiro e Cleusa Aparecida de Oliveira, o espaço tornou-se um ponto de encontro. Enquanto Sandra mantém o otimismo pelo hexacampeonato, depositando fé em nomes como Endrick, Cleusa adota um tom mais cético, embora garanta presença nos jogos da seleção.
Um dos pontos altos do Sesc Pompeia é a exposição Colecionadores de Copas, com curadoria de Marcelo Duarte. O acervo reúne mais de 300 itens que narram a história do mundial desde a década de 1950. Entre peças raras, os visitantes podem ver de perto camisas usadas por Ronaldo Fenômeno em 1994 e por Lionel Messi em 2018, além de ingressos antigos, álbuns de figurinhas completos e brinquedos que marcaram épocas. É uma tentativa clara de conectar as gerações mais novas com a memória afetiva do esporte, preservando um patrimônio que, fora desse circuito, estaria guardado em coleções privadas.

































































































