Brasília (DF) – O banqueiro Daniel Vorcaro amargou nesta quinta-feira, 11 de abril, o segundo revés em suas tentativas de negociar uma delação premiada com a Polícia Federal. A corporação declinou novamente da proposta de colaboração apresentada pela defesa, mantendo o impasse jurídico que envolve o empresário desde sua prisão.
A negativa já chegou às mãos do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável por relatar os desdobramentos das investigações no tribunal superior. Enquanto a PF fecha as portas para o acordo, a Procuradoria-Geral da República mantém a análise técnica sobre o pedido, sem ainda ter cravado um veredito sobre a viabilidade da colaboração.
Os motivos exatos para a recusa permanecem protegidos pelo sigilo judicial. Ninguém detalhou o que pesou na balança dos investigadores desta vez, mas o histórico da negociação dá pistas claras. Quando o primeiro pedido foi descartado, no mês passado, o diagnóstico dos agentes foi contundente: faltava densidade ao que foi apresentado. Na ocasião, o entendimento foi de que o banqueiro não entregou nada que já não estivesse mapeado pelo material apreendido e, pior, não admitiu a prática de crimes.
Vorcaro está no centro das atenções desde 4 de março, quando foi capturado durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação busca desatar o nó de supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e os bastidores de uma tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília, estatal controlada pelo governo do Distrito Federal.
Desde que foi levado para uma cela improvisada na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, a estratégia de defesa do banqueiro tem girado em torno da delação. Sem o aval dos investigadores, contudo, o horizonte jurídico de Vorcaro segue incerto.
O silêncio sobre os detalhes do acordo fracassado contrasta com o barulho que a operação causou no mercado financeiro e nos corredores do poder local. Com a PF irredutível, o destino de Daniel Vorcaro agora depende do posicionamento da PGR e das próximas decisões de André Mendonça. O tempo, por ora, corre contra o banqueiro, que aguarda atrás das grades uma brecha que, até agora, os investigadores não viram motivos para abrir.




























































































