São Paulo (SP) – A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo encara um cenário de hostilidade política e dificuldades econômicas. Na última semana, a Câmara Municipal avançou com um projeto de lei que proíbe crianças e adolescentes em eventos que “fomentem práticas LGBTQIA+”. A proposta, que visa restringir manifestações em espaços públicos, é vista por especialistas como Ariel de Castro Alves, da OAB, como uma clara inconstitucionalidade que fere princípios fundamentais de igualdade.
Nelson Matias Pereira, presidente da APOLGBT-SP, não hesita em classificar o projeto como uma “cortina de fumaça” conservadora. Para ele, a tentativa de empurrar o movimento de volta ao armário é um padrão recorrente. A drag queen Tiffany, apresentadora do evento, reforça essa percepção ao notar que o retrocesso legislativo acompanha uma onda de preconceito que tenta desmantelar décadas de conquistas. “O fervo também é luta”, resume ela sobre a resistência necessária.
O desafio financeiro é igualmente crítico: o evento perdeu cerca de 60% dos patrocínios, forçando uma estrutura mais enxuta. Mesmo com apenas dois grandes patrocinadores confirmados, a organização mantém o calendário. O tema deste ano, “A rua convoca, a urna confirma”, coloca o foco na importância do voto como única via para evitar que pautas da comunidade sejam negligenciadas por representantes distantes das demandas sociais.
Desde a estreia na Praça Roosevelt em 1996, a Parada se consolidou como um motor de mudanças legislativas, da união estável à criminalização da LGBTfobia. Para manter essa relevância, a programação inclui o Encontro Brasileiro de Organizações LGBT+ e a tradicional Feira da Diversidade, marcada para 4 de junho no Vale do Anhangabaú. Com tendas de empregabilidade e serviços de saúde, o evento tenta equilibrar a celebração cultural com a necessidade urgente de militância política.





































































































