Cariacica (ES) – Eles cruzam as cidades todos os dias, debaixo de sol ou chuva, mas só agora começam a ganhar um espaço formal de apoio na economia do país. Com o lançamento do programa Move Motos nesta sexta-feira (12), o governo federal quer dar o empurrão que faltava para os motociclistas de aplicativo saírem de uma histórica invisibilidade. A iniciativa abre as portas do crédito para quem precisa renovar ou comprar sua ferramenta de trabalho, com condições que o mercado tradicional costuma negar a esse público.
A nova linha de financiamento permite adquirir motocicletas, ciclomotores, motonetas e até bicicletas elétricas fabricadas no Brasil. O grande atrativo está no bolso: os juros serão de 12,5% ao ano. Se comparado à média cobrada pelas concessionárias, que hoje beira os 27% anuais, o alívio é evidente. No detalhe mensal, a taxa fica em 0,99% para os homens e cai para 0,91% para as mulheres. E um detalhe crucial: dá para financiar 100% do valor, sem precisar de qualquer quantia para a entrada.
O pacote também permite embutir no contrato a compra de capacetes, baterias e até a instalação de pontos de recarga elétrica. Para dar segurança financeira ao motorista, existe a opção do seguro prestamista, que cobre as parcelas em caso de imprevistos que impeçam o trabalho. Quem fechar o negócio terá uma carência de até três meses — na prática, quem comprar em julho só começa a pagar em outubro. Os interessados com o nome restrito nos órgãos de proteção ao crédito não entram de imediato, mas podem regularizar a situação pelo Desenrola antes de pleitear o financiamento.
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado direto ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal. Os bancos públicos têm 30 dias para treinar suas equipes e garantir um atendimento ágil, humanizado e sem as amarras da burocracia tradicional. Segundo Lula, a presença desses profissionais no palácio representa o resgate de uma categoria que era considerada invisível, mas que agora deve ser tratada com cidadania plena. O presidente defendeu, ainda, campanhas educativas para pacificar a convivência no trânsito.
Para garantir o benefício, o trabalhador precisa ter pelo menos seis meses de cadastro ativo na plataforma oficial do programa e comprovar um histórico mínimo de 100 corridas. Já para quem atua sob o regime da CLT, o requisito é de seis meses comprovados na profissão. Após se cadastrar no portal gov.br/movebrasil, o motociclista recebe a resposta sobre sua habilitação em poucos dias. A partir de 13 de julho, quem tiver o cadastro aprovado poderá procurar as agências bancárias ou participar dos feirões organizados pela Caixa e pelo Banco do Brasil em parceria com concessionárias.
De acordo com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, o Move Motos é um desdobramento de uma estratégia mais ampla de mobilidade e crédito. No caso do Move Aplicativos — voltado a motoristas de carro e taxistas —, o governo liberou um crédito extraordinário de R$ 30 bilhões operado via BNDES, com 740 mil profissionais já aptos a contratar a partir de 19 de junho. O programa maior, Move Brasil, já movimentou R$ 3,2 bilhões em seu primeiro dia, de um total de R$ 21,2 bilhões disponíveis, além de reservar R$ 10 bilhões para o setor de máquinas agrícolas voltadas a pequenos empreendedores.
































































































