Para muitas mães brasileiras, o Dia das Mães é marcado por um vazio profundo e uma rotina de espera que parece não ter fim. Com mais de 84 mil registros de desaparecimentos no Brasil em 2025, essas mulheres enfrentam a dor do desconhecido, mantendo viva a esperança de reencontro, seja após dias ou décadas de buscas incessantes por seus filhos.
O drama de Clarice Cardoso ilustra essa realidade devastadora. Moradora de uma comunidade quilombola no Maranhão, ela busca por seus dois filhos, Ágatha e Allan, desaparecidos desde janeiro. Entre o desamparo, o preconceito enfrentado em delegacias e a incerteza das investigações, Clarice sobrevive graças ao suporte de seu filho mais velho e à rede de apoio que tenta manter, enquanto clama por mais visibilidade nacional para o seu caso.
A necessidade de união gerou iniciativas como o grupo Mães da Sé, fundado por Ivanise Espiridião, que procura pela filha Fabiana há quase 30 anos. Hoje, o coletivo reúne mais de seis mil mães em todo o país e utiliza tecnologias como o aplicativo Family Faces para auxiliar na localização de pessoas. Para essas mulheres, o ativismo tornou-se um caminho indispensável para transformar a dor pessoal em uma luta coletiva por respostas.
Historicamente, a literatura brasileira tem tentado traduzir essa angústia indescritível, como visto nas obras de Ana Maria Gonçalves e Itamar Vieira Junior. No entanto, para as mães reais, a realidade é muito mais complexa. Elas não buscam apenas empatia, mas respeito e ação concreta do Estado, lutando diariamente para que seus filhos não sejam esquecidos no labirinto de números e estatísticas do país.


































































































