São Paulo (SP) – Uma urna inflável gigante batizada de Votinho funcionou como ponto focal de quem passou pela Avenida Paulista. O monumento traduzia o lema oficial da edição que marca as três décadas de existência do ato: “30 Anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”. Além das tradicionais cores do arco-íris, o verde e o amarelo da bandeira brasileira ganharam espaço entre os manifestantes, ressignificando símbolos nacionais em plena via pública.
Vestido com terno e faixa presidencial sobre o ombro, o assistente jurídico Wesley Araújo, de 29 anos, chamava a atenção de quem passava. Ele usou o figurino justamente para passar a mensagem de que a comunidade também tem o direito de ocupar o cargo máximo do Executivo. Wesley ponderou que a atenção do eleitorado não deve se limitar à escolha do presidente, já que o Congresso e as câmaras municipais desempenham papel crucial na aprovação de leis protetivas.
Um pouco mais adiante, o cuidador de idosos Maurício José de Santana, de 61 anos, exibia orgulhoso a camisa amarela da seleção brasileira de futebol. Ele explicou que sua intenção era quebrar o estereótipo de que o público LGBTQIA+ não consome o esporte nacional ou não torce por atletas como Neymar. Maurício, no entanto, não escondeu o receio com os rumos políticos do país, alertando que a manutenção de direitos conquistados ao longo de 30 anos depende diretamente das próximas escolhas na cabine de votação.
União e representatividade artística
No asfalto, antes mesmo do som dos trios elétricos começar a ecoar, o público se aglomerava para interagir com artistas e tirar fotografias. A DragZonna foi uma das mais assediadas para os registros. Entre um clique e outro, ela destacou que o evento funciona como um escudo criativo contra as constantes ameaças de retrocesso legislativo sofridas pela comunidade, reforçando a necessidade de eleger representantes alinhados com a causa.
A presença de simpatizantes também marcou o dia. A recepcionista Rafaela Fernandes, de 33 anos, levou sua cachorrinha Mel Radical, equipada com asas e óculos coloridos — uma tradição que a dupla mantém desde 2019. Mesmo sem fazer parte da comunidade LGBTQIA+, Rafaela fez questão de manifestar seu apoio e reforçar que a segurança e o respeito que recebe desse grupo devem ser retribuídos com um voto consciente nas urnas.
A caminhada festiva partiu da Paulista em direção à Praça da República, embalada pelo som de 14 trios elétricos. O lineup de apresentações reuniu grandes nomes da música nacional, como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias, Pepita, Melody, Diego Martins, Jup do Bairro, MC Soffia, Isma, Katy da Voz e As Abusadas, MC Trans, Zumbicore e Thiago Pantaleão. A estrutura do ato também contou com a participação de Janine Mello, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania.







































































































