Brasília (DF) – O combate à exploração de menores no Brasil atingiu uma marca expressiva no ano passado. Dados oficiais revelam que 4.318 crianças e adolescentes foram resgatados de situações de trabalho ilegal em 2025. O montante é reflexo direto de uma ofensiva intensificada pelos órgãos de fiscalização, que somaram 10.234 ações em todo o território nacional — o volume mais expressivo registrado na última década.
A curva de atuação não arrefeceu com a virada do calendário. Apenas entre janeiro e abril de 2026, outros 1.108 jovens foram retirados de condições laborais irregulares. O cenário preocupa pela gravidade das ocupações: em mais de 70% dos casos mapeados desde o início do ano passado, os menores estavam expostos a danos severos à segurança, moralidade e ao desenvolvimento físico e mental.
Setores sob vigilância constante
Os fiscais concentraram esforços em segmentos onde a presença de mão de obra infantil é historicamente mais difícil de coibir. O comércio varejista, estabelecimentos que servem refeições — como lanchonetes e restaurantes —, serviços ambulantes de alimentação, redes de supermercados e oficinas mecânicas lideram a lista de flagrantes. Atividades industriais também aparecem com frequência significativa nos relatórios de inspeção.
O mapa das intervenções aponta uma dispersão geográfica ampla. Em 2025, os estados que mais contabilizaram afastamentos foram Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro. A lista sofreu pequenas variações no primeiro quadrimestre de 2026, com a inclusão do Paraná e de Goiás entre as unidades da federação com maior incidência de resgates.
Para o coordenador de Erradicação e Fiscalização do Trabalho Infantil, Roberto Padilha Guimarães, a força das inspeções é o pilar que sustenta o enfrentamento a esse problema. Segundo ele, o trabalho técnico não apenas interrompe a violação de direitos, mas atua preventivamente para assegurar que a infância brasileira esteja protegida de explorações precoces.
A manutenção desse ritmo de fiscalização depende, em grande medida, da colaboração da sociedade. O governo mantém ativo o Sistema Ipê Trabalho Infantil, uma plataforma digital dedicada ao recebimento de denúncias, permitindo que cidadãos relatem situações suspeitas de forma direta para que as equipes de inspeção possam intervir prontamente.
























































































