São Paulo (SP) – A Secretaria de Saúde de São Paulo encerrou as investigações sobre o segundo caso suspeito de ebola registrado no estado. A paciente, uma brasileira de 31 anos, teve a infecção descartada após o Instituto Adolfo Lutz realizar duas rodadas de exames que atestaram negativo para o vírus. A mulher, que havia retornado recentemente de uma viagem à República Democrática do Congo, segue sob cuidados médicos no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, mas o diagnóstico oficial agora aponta para um quadro de gastroenterocolite aguda.
A precisão laboratorial exigiu cautela. A diretora-geral do Instituto Adolfo Lutz, Adriana Bugno, detalhou que o primeiro teste, feito antes de 72 horas do surgimento dos sintomas, não era suficiente por si só para eliminar a ameaça. Foi necessário aguardar o intervalo estipulado pelo protocolo sanitário para uma segunda coleta. Com ambos os resultados apontando a ausência do patógeno, a equipe técnica pôde descartar o risco de saúde pública.
Esta não foi a primeira vez que o sistema de saúde paulista acendeu o alerta. No dia 1º de junho, um homem de 37 anos, também com histórico de deslocamento para o território congolês, passou pelo mesmo processo de investigação, que terminou com o descarte da doença. O rito de triagem é conduzido pelo Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac, que monitora rigorosamente qualquer viajante que apresente sintomas compatíveis após retornar de regiões onde o ebola circula.
Para Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças, a rapidez na notificação ao Ministério da Saúde e o isolamento imediato são peças-chave, independentemente da probabilidade real de contágio. A lógica é simples: manter a biossegurança e o atendimento qualificado desde o primeiro contato, garantindo uma resposta ágil mesmo em cenários de baixo risco de introdução da patologia no Brasil.
O foco das autoridades brasileiras mantém-se atento devido à situação crítica na República Democrática do Congo. O país africano lida com uma crise sanitária persistente, onde o número de casos confirmados já ultrapassou a marca de 689, resultando em 139 mortes até o momento. A propagação, segundo dados recentes, continua concentrada na província de Ituri, onde novas notificações seguem surgindo diariamente, mantendo o sistema de vigilância internacional em estado permanente de prontidão.
Quanto à paciente brasileira, a evolução clínica permanece favorável, indicando que o tratamento para a gastroenterocolite está sendo eficaz enquanto ela se recupera das complicações gastrointestinais que, inicialmente, levantaram a suspeita epidemiológica.

























































































