Islamabad, Paquistão – O desenlace de um conflito que alterou a geopolítica do Oriente Médio desde o final de fevereiro parece ter data e hora para ocorrer. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, sinalizou neste sábado (13) que a assinatura do acordo de paz entre Washington e Teerã é iminente, podendo ser concluída ainda dentro de um dia. A previsão é que a formalização do documento ocorra por meios eletrônicos, abrindo caminho para uma rodada de debates técnicos agendada para a semana que se inicia.
O terreno foi preparado na sexta-feira (12), quando o governo paquistanês assegurou que o texto final havia superado as divergências, mesmo sob o fogo cruzado de narrativas desencontradas e campanhas que buscavam minar a confiança entre as partes. Na mesma linha de cautela, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, evitou antecipar o teor das tratativas. Ele classificou o chamado Memorando de Entendimento de Islamabad como um marco próximo, mas alertou que especulações midiáticas sobre as cláusulas do documento são prematuras e não devem ser alimentadas antes do anúncio oficial.
A tensão que culminou neste cenário de trégua teve seu estopim em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel deflagraram ações militares contra o Irã. O conflito entrou em uma fase diferente no início de abril, com a costura de um cessar-fogo inicial que serviu de base para o trabalho mediador exercido pelo Paquistão.
Bastidores e declarações públicas marcaram o caminho até aqui. Dois dias atrás, Donald Trump afirmou ter recebido o aval da liderança iraniana e de outros atores envolvidos, justificando o cancelamento de ataques que estavam prontos para ser executados. A trajetória das negociações, porém, não foi linear. Em episódios anteriores, o otimismo demonstrado pelo presidente norte-americano em suas falas foi rapidamente refutado por autoridades em Teerã, o que gerou um clima de incerteza sobre a real viabilidade de um entendimento duradouro.
Agora, resta saber se o documento sob custódia de Islamabad será, de fato, o ponto final que encerra a hostilidade aberta. O silêncio imposto pelas diplomacias envolvidas sugere que a cautela ainda prevalece sobre a celebração, mas o cronograma desenhado por Sharif coloca o fim da guerra em um horizonte de horas, e não mais de meses.
























































































