São Bernardo do Campo (SP) – A política externa brasileira enfrenta um cenário de pressão crescente, exigindo uma reavaliação imediata sobre a postura do país em temas de segurança nacional. O alerta partiu de Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República, durante a 2ª Conferência Nacional Política Externa e Inserção Internacional, realizada nesta semana na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo.
Para o assessor, a percepção de vulnerabilidade regional, impulsionada por ações militares dos Estados Unidos na Venezuela, impõe urgência ao debate sobre a necessidade de investimento no setor de defesa. Embora não enxergue uma ameaça direta às reservas de petróleo ou ao programa nuclear brasileiro, Faleiro enfatiza que o país precisa superar o dilema interno entre o pacifismo institucional e a descrença na eficácia do poderio militar frente às grandes potências. Ele defende a construção de uma capacidade de dissuasão sólida como alternativa à submissão.
Além da segurança, o plano de governo para o horizonte de 2030 coloca outros cinco pilares na mesa. O setor de minerais críticos e terras raras é tratado como prioridade, dado que a atual regulação está defasada. O governo busca criar um conselho específico sob o guarda-chuva da Presidência para garantir que o Brasil — detentor das segundas maiores reservas mundiais desses insumos — consiga desenvolver estratégias de valorização desses ativos.
No combate ao crime organizado transnacional, a orientação é abandonar a postura defensiva. Faleiro argumenta que o Brasil precisa liderar uma pauta regional e evitar que o tema seja sequestrado por narrativas políticas, estratégia que já norteou a recente disputa vencida pelo país para a direção-geral da Interpol. Em paralelo, a soberania digital surge como uma lacuna urgente. O país reconhece ter perdido o ritmo inicial das discussões globais sobre tecnologia e agora projeta investimentos pesados para retomar o protagonismo na área.
A integração regional, por sua vez, vive um momento de estagnação. A fragmentação política na América Latina, acentuada pela ascensão de Javier Milei na Argentina e pelo impasse eleitoral na Venezuela, paralisou fóruns como a Unasul e a Celac. Já na relação com o continente africano, o desafio é o reaprendizado. Após uma década de distanciamento, o Brasil encontra um mercado ocupado por novos atores globais com ferramentas de cooperação mais dinâmicas e eficazes.
O assessor também pontuou um diagnóstico crítico sobre o bloco dos BRICS. Para ele, a expansão do número de membros em 2023 foi um equívoco que resultou na atual paralisia do grupo. A existência de conflitos diretos entre países integrantes, somada à incapacidade de construir consensos básicos, como uma posição sobre a crise no Oriente Médio, colocou o bloco em um impasse que o governo considera, no momento, sem reversão.























































































