A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, expôs uma articulação envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o Banco Master. Investigações apontam que o parlamentar apresentou uma emenda à PEC 65/2023, conhecida como “Emenda Master”, que visava elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo a PF, o texto foi redigido por assessores da instituição financeira em troca de pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao senador, além de custeios de viagens e outras regalias.
Embora a proposta tenha sido rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por inconstitucionalidade, especialistas alertam para o risco sistêmico que a medida representaria. O FGC, entidade privada criada para proteger investidores e evitar crises bancárias, já sofreu forte impacto com as liquidações envolvendo o conglomerado Master, Will Financeira e Banco Pleno. Estima-se que esses eventos tenham consumido quase metade das reservas do fundo, totalizando cerca de R$ 57,4 bilhões em desembolsos.
Economistas como William Baghdassarian e Cesar Bergo destacam que a alteração estimularia o chamado “risco moral”, incentivando instituições financeiras a oferecerem rentabilidades implausíveis sob a falsa promessa de segurança total. Para os especialistas, elevar o teto de garantia protegeria indevidamente investidores de alta renda e colocaria em xeque a sustentabilidade do FGC. Caso a emenda tivesse sido aprovada, o prejuízo causado pelas irregularidades do Banco Master ao sistema seria, segundo estimativas, pelo menos R$ 15 bilhões superior ao registrado.





























































































