Brasília (DF) – O Ministério da Saúde determinou nesta segunda-feira (8) a interrupção temporária do uso da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. A cautela foi adotada após o registro de 42 casos de reações adversas severas em pacientes que receberam o imunizante. Entre os quadros reportados, três pessoas precisaram de internação hospitalar e duas acabaram morrendo. Agora, especialistas trabalham para esclarecer se existe um vínculo direto entre os eventos clínicos e a administração do produto.
Apesar da suspensão, o tom oficial é de tranquilidade para quem já completou o ciclo vacinal há mais tempo. O objetivo principal da medida é preventivo, enquanto as análises seguem em curso. Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, reforçou que a eficácia do imunizante permanece comprovada e que a proteção conferida por ele é real.
O período crítico para monitoramento é de 21 dias após a aplicação. É nesta janela que ocorre a chamada viremia vacinal, fase em que o organismo lida com uma versão atenuada do vírus para criar anticorpos. Quem tomou a dose nesse intervalo precisa observar o aparecimento de qualquer sinal sugestivo da doença, como febre, dores pelo corpo, manchas na pele, episódios de vômito ou qualquer indício de sangramento. Se surgir qualquer um desses sintomas, a orientação é buscar assistência médica imediata para avaliação profissional.
Quem recebeu a vacina há mais de três semanas pode respirar aliviado. O ministério garante que, passado esse prazo, o paciente está fora de qualquer risco relacionado ao imunizante e totalmente protegido contra a dengue. Vale lembrar que a vacina do Butantan apresenta números robustos de eficácia: evita cerca de 65% das infecções e reduz em mais de 80% o risco de hospitalizações e casos graves.
Desde a incorporação ao SUS em janeiro, o programa de vacinação atingiu mais de 501 mil pessoas até o dia 30 de maio. A estratégia começou de forma localizada, focando em cidades-piloto como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), abrangendo o público de 15 a 59 anos. O cronograma avançou em fevereiro para incluir profissionais de saúde da atenção primária e, em março, alcançou a região de Araguaína (TO).
Antes de chegar à rede pública, o imunizante enfrentou o rigoroso processo de aprovação da ANVISA. O histórico do desenvolvimento inclui testes com mais de 11 mil voluntários, seguidos por um acompanhamento minucioso de até cinco anos. O momento atual é de apuração técnica rigorosa para garantir a segurança contínua do programa, enquanto a população é orientada a manter a atenção sobre os sintomas durante as três semanas subsequentes à vacinação.
































































































