Brasília (DF) – O governo federal planeja uma expansão robusta no atendimento via telefone e videochamada para brasileiros que sofrem com a dependência em jogos de azar. A movimentação responde a um aumento expressivo na demanda e deve ser concretizada até o final deste ano, utilizando o suporte da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) para contratar empresas especializadas na assistência direta a esses usuários.
Desde que o serviço foi lançado em março, em uma cooperação com o Hospital Sírio-Libanês, mais de 6,9 mil pessoas já buscaram ajuda pela plataforma. Para dar conta dessa crescente procura, o Ministério da Saúde reservou cerca de R$ 70 milhões, que serão aplicados em estratégias de prevenção e na qualificação das equipes que operam dentro da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
Parte do montante será destinada a um estudo inédito, com orçamento de R$ 6 milhões, desenhado para mapear como as apostas interferem na saúde da população. A ideia central é identificar grupos de maior risco e desenhar políticas públicas mais precisas. O financiamento dessas ações tem origem na destinação social das chamadas bets, que somou R$ 45,7 milhões em 2025 — o equivalente a 1% da arrecadação total dos tributos recolhidos pelo setor, que atingiu R$ 4,5 bilhões.
Embora a pasta não consiga isolar o custo específico desses atendimentos dentro do orçamento bilionário da Raps, o governo defende que a receita vinda dos impostos sobre jogos é um complemento vital para manter a rede funcional. O acesso ao suporte segue o caminho digital: através do aplicativo Meu SUS Digital, o usuário pode realizar um autoteste validado clinicamente. Caso o resultado indique risco elevado, o encaminhamento para o teleatendimento é automático. Nos quadros de menor gravidade, a orientação é buscar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou os Centros de Atenção Psicossocial (Caps).
A gravidade do cenário é atestada por números oficiais. Entre janeiro de 2018 e maio de 2025, o sistema público registrou uma alta de 104% em atendimentos ligados a transtornos de jogo e mania de apostas. Foram mais de 10,5 mil ocorrências, concentradas majoritariamente entre homens e pessoas na faixa dos 20 aos 49 anos. Especialistas, no entanto, alertam para o crescimento preocupante de casos envolvendo o público jovem.
O desafio de conter esse avanço levou a outras frentes governamentais, como a criação da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, lançada em dezembro de 2025. A ferramenta, que permite o bloqueio voluntário do acesso a sites autorizados, já superou a marca de meio milhão de adesões. Em paralelo, o governo tenta sufocar o mercado clandestino; o decreto 13.033, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 19 de julho, prevê que valores confiscados de apostas ilegais sejam redirecionados para o enfrentamento ao crime organizado.








































































































