Rio de Janeiro (RJ) – O gabinete do deputado estadual Val Ceasa, do PRD, tornou-se o centro de uma investigação complexa nesta quinta-feira, 18. O parlamentar é o principal alvo de uma ação que busca esclarecer possíveis conexões entre agentes públicos e o Terceiro Comando Puro, organização criminosa que detém o controle territorial em partes significativas da zona norte do Rio de Janeiro.
Ao todo, catorze mandados de busca e apreensão estão sendo executados por equipes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público e agentes da Polícia Civil voltados a crimes de foro privilegiado. A ofensiva atinge não apenas o deputado, mas também o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins e Michael Johnny Vianna de Azevedo, que atuava como assessor parlamentar. As diligências alcançam espaços como a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, instalações da Ceasa e endereços espalhados pela capital fluminense e também no Espírito Santo.
O fio condutor da investigação aponta para uma tentativa deliberada de obstrução de justiça. Suspeita-se que os envolvidos tenham recorrido a contatos na Polícia Militar com o objetivo de levantar detalhes sobre uma operação sigilosa. O alvo da ação frustrada seria a demolição de imóveis em Parada de Lucas, área central do chamado Complexo de Israel. Para impedir a intervenção, o grupo teria alegado que as estruturas serviam para fins sociais, uma justificativa que, segundo as apurações, não passava de uma fachada.
A manobra surtiu efeito momentâneo, resultando no adiamento da ação das forças de segurança contra os imóveis usados pelo braço do tráfico. A autorização para as buscas foi concedida pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio, sinalizando o peso das evidências reunidas até o momento pelos investigadores.
Roosevelt Barreto Barcelos, o Val Ceasa, iniciou sua trajetória política como vereador em 2016, migrando para a Alerj em 2018. Durante a sessão desta manhã, o deputado negou qualquer envolvimento com o crime organizado. Em seu discurso, falou em perseguição política e afirmou que seu trabalho é pautado pela dignidade, delegando à Justiça a tarefa de limpar seu nome.
Enquanto o desenrolar das investigações avança, figuras citadas nos mandados enfrentam consequências imediatas. Sobre o ex-vereador Ulisses de Almeida Marins, a prefeitura do Rio esclareceu que ele não mantém vínculos com o serviço municipal. Registros indicam ainda que uma tentativa sua de ingressar no Executivo federal, em novembro de 2025, terminou em reprovação. Por ora, os materiais coletados durante as buscas devem ser analisados para confirmar até onde ia a influência do grupo sobre as operações policiais na região.








































































































