Serra (ES) – O Peru vive um clima de incerteza que se arrasta desde o segundo turno, realizado em 7 de junho. Nesta quinta-feira (18), a contagem oficial coloca Keiko Fujimori à beira da vitória. Ela sustenta uma vantagem de 39.115 votos sobre o adversário de esquerda, Roberto Sánchez, em uma disputa definida por uma margem mínima que reflete a profunda polarização do país.
A situação é delicada: restam apenas 0,6% das urnas a serem contabilizadas. A liderança de Fujimori, que alcançou 50,11% dos votos válidos contra 49,89% de seu oponente, parece consolidada pela origem dos votos pendentes. Dos 140 mil votos ainda em análise na manhã desta quinta, a maioria provém da capital, Lima, e de consulados no exterior — redutos onde o apoio à candidata é numericamente superior.
Para analistas do mercado de dados, a matemática já não favorece uma reversão de cenário. A tendência é que a vantagem de Fujimori se mantenha até o anúncio oficial. Caso confirme o resultado, ela quebrará uma sequência de três derrotas em segundos turnos, incluindo o revés sofrido em 2021 para Pedro Castillo, quando perdeu por uma diferença de 44.200 sufrágios.
Enquanto a autoridade eleitoral trabalha na análise dos votos contestados, o clima nas ruas de Lima começa a mudar. Roberto Sánchez não aceita a derrota e questiona a lisura do processo. Seu partido protocolou recursos judiciais para tentar anular votos que beneficiam a rival e já convocou manifestações para a próxima sexta-feira, elevando o tom da resistência política.
O ambiente de desconfiança, contudo, destoa do relato das missões internacionais. Observadores da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos (OEA) emitiram comunicados garantindo que a votação transcorreu sem falhas estruturais. Ambos os organismos instaram os candidatos e a população a manterem a serenidade e respeitarem os ritos institucionais enquanto o veredito final não é emitido.
Para Fujimori, a vitória representaria um marco histórico: ela se tornaria a primeira mulher a ser eleita diretamente para a Presidência do Peru. O destino do país agora depende da resolução dos recursos apresentados e da disposição das forças políticas em aceitar, ou não, o veredito das urnas que, matematicamente, parece cada vez mais próximo de um desfecho definitivo.






























































































