Cachoeiro do Itapemirim (ES) – Moradores de territórios tradicionais no Ceará, Pernambuco, Amapá e Pará terão acesso facilitado a cuidados médicos de média e alta complexidade ao longo do mês de junho. Uma força-tarefa de saúde planeja realizar mais de 13 mil procedimentos, entre consultas especializadas, exames de diagnóstico e cirurgias, diretamente nas comunidades ou em pontos de apoio estratégicos.
A iniciativa faz parte do programa Agora Tem Especialistas, sob a execução da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). A proposta central é descentralizar o atendimento especializado, levando médicos e infraestrutura para regiões historicamente desassistidas pela rede convencional de saúde.
Redução de distâncias e equidade
Para a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé, o avanço dos serviços especializados representa um passo essencial para garantir a equidade dentro do Sistema Único de Saúde. A gestora avalia que a aproximação dos serviços médicos básicos e complexos aos territórios diminui as disparidades regionais e amplia de forma considerável a eficiência do atendimento local.
A lista de especialidades médicas mobilizadas para os mutirões é ampla. Os pacientes indígenas terão acesso a atendimentos em pediatria, ginecologia e obstetrícia, cardiologia, clínica médica, dermatologia e cirurgia geral. O cronograma também prevê uma atenção especial à saúde ocular, contemplando exames e procedimentos cirúrgicos oftalmológicos.
O trabalho de logística e atendimento conta com a colaboração direta de organizações que acumulam experiência em áreas de difícil acesso. Entre os parceiros da ação estão o projeto Aldeia em Foco, a Associação Médicos da Floresta, o Hospital Einstein Israelita e a organização não governamental Zoé.
Rotas de atendimento pelo país
Os cronogramas de atendimento variam de acordo com as necessidades e a geografia de cada território. Na comunidade Xukuru do Ororubá, em Pernambuco, os atendimentos de oftalmologia seguem até o dia 20 de junho, beneficiando pessoas de mais de 30 aldeias. Pacientes previamente triados e cadastrados passarão por cirurgias de catarata e pterígio nos dias 1º e 2 de julho.
No Ceará, a mobilização vai contemplar comunidades vinculadas aos polos-base de Anacé, Potyrô Tapeba, Aquiraz e Maracanaú, assegurando a cobertura de consultas em pontos descentralizados.
Na região Norte, os esforços se dividem em diferentes frentes. No Amapá e no norte do Pará, a Casa de Saúde Indígena (Casai) de Macapá concentrará serviços de ginecologia e obstetrícia, pediatria, cardiologia, anestesiologia e exames de ultrassonografia. Paralelamente, no território Tumucumaque, as equipes médicas cobrirão os polos-base Bona e Missão Tiriyó com serviços odontológicos, pediátricos, oftalmológicos, de clínica médica e ginecologia e obstetrícia.
Já em Tocantins, a Terra Indígena Zo’é receberá ações concentradas nos dias 20 e 21 de junho. As atividades incluem a oferta de consultas, exames de imagem e intervenções cirúrgicas. Para assegurar o respeito às tradições locais e contornar barreiras linguísticas, a operação contará com a presença de um profissional fluente na língua Zo’é, que fará a mediação cultural entre os médicos e os pacientes.
Balanço e impacto das ações
A atual estratégia de mutirões acumula um histórico de 14 edições concluídas em diferentes pontos do território nacional desde o seu lançamento, ocorrido em agosto de 2025. O diretor-presidente da AgSUS, André Longo, aponta que a iniciativa tem sido fundamental para mitigar gargalos históricos na assistência de média complexidade.
Na visão do diretor, aproximar os especialistas das aldeias reduz significativamente o tempo que os pacientes aguardam por procedimentos e elimina barreiras geográficas severas. Longo defende que o modelo fortalece o cuidado integral à saúde, sem perder de vista as particularidades culturais e as necessidades reais de cada etnia atendida.





























































































