Brasília (DF) – Uma ofensiva nacional contra as facções criminosas sufocou o caixa do tráfico em R$ 1,6 bilhão logo no primeiro mês de atividade do programa Brasil Contra o Crime Organizado. Lançada em 12 de maio sob coordenação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a iniciativa marcou seu período inicial com a prisão de quase 8 mil suspeitos e a retirada de circulação de 82,5 toneladas de drogas de norte a sul do país.
A mobilização exigiu um esforço logístico robusto. Ao todo, quase 10 mil agentes de segurança pública foram espalhados por 11 operações simultâneas que alcançaram as 27 unidades da Federação. Para colocar a estrutura de pé, o governo federal investiu R$ 31,4 milhões — um valor largamente compensado pelo prejuízo imposto às finanças das organizações clandestinas.
Asfixia financeira e bloqueio de bens
O estrangulamento financeiro do crime foi além das apreensões de carregamentos de entorpecentes. As forças policiais confiscaram R$ 523 milhões em bens diversos e conseguiram o bloqueio judicial de R$ 22 milhões em contas e ativos financeiros, além da aplicação de R$ 10 milhões em multas administrativas. Entre o conjunto de ações estaduais e federais, as operações batizadas de Renoe, Fronteiras e Divisas foram as que desferiram os golpes mais profundos na contabilidade das quadrilhas.
Além do desmonte econômico, a retirada de poder de fogo foi significativa. No balanço das primeiras quatro semanas, constam as apreensões de 356 armas de fogo e mais de 20 mil munições de diferentes calibres, reduzindo o potencial bélico de grupos que atuam em áreas urbanas e de fronteira.
Fronteiras vigiadas e isolamento nos presídios
No sistema carcerário, a estratégia principal mirou o isolamento das cúpulas das facções, interrompendo as ordens enviadas para as ruas. Durante a 11ª fase da Operação Mute, os agentes revistaram quase 4 mil celas em 124 penitenciárias, resultando na apreensão de 680 telefones celulares. O plano é manter a pressão interna constante: o cronograma oficial prevê uma grande operação nacional e duas regionais a cada mês nos presídios brasileiros até o fim de 2026.
Nas rotas de escoamento que cortam a Amazônia e os limites territoriais do Brasil, a Força Nacional estabeleceu 81 frentes de atuação distribuídas pelo Distrito Federal e por 13 estados. A vigilância ostensiva resultou em mais de 34 mil abordagens a pedestres e passageiros, além de vistorias minuciosas em cerca de 20 mil veículos que cruzavam as estradas dessas regiões.
Por fim, a reestruturação da segurança também passou pelos bastidores científicos da investigação. Um grupo de 474 profissionais recebeu treinamento especializado em técnicas como papiloscopia, comparação balística e preservação da cadeia de custódia, garantindo que as provas colhidas nas operações sustentem condenações definitivas na Justiça.






























































































