Évian, França – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o ex-mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira (17). Em Évian, na França, logo após o encerramento da Cúpula do G7, Lula exigiu que o político norte-americano mantenha distância das disputas eleitorais brasileiras e trate o país com a devida consideração diplomática.
A reação veio após declarações de Trump sobre o cenário político brasileiro. O norte-americano havia classificado o Brasil como uma nação “um pouco perigosa” e mencionou diretamente a situação jurídica de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado federal foi sentenciado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.
De acordo com a denúncia aceita pelo STF, Eduardo Bolsonaro teria atuado em Washington para favorecer o aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras. O objetivo da manobra seria pressionar a Suprema Corte brasileira, tentando impedir uma eventual condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, devido à tentativa de golpe de Estado iniciada após o pleito de 2022.
Lula, ao comentar o episódio, minimizou as afinidades ideológicas de Trump. Segundo o presidente, não há qualquer objeção pessoal a quem o norte-americano decida apoiar. “Por mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro – do pai, do filho, do neto. Não tenho problema. Gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições no Brasil”, disparou.
Para o petista, o respeito à soberania é a linha que divide a diplomacia da ingerência. Ele argumentou que as escolhas eleitorais de cada país pertencem exclusivamente ao seu próprio povo, distanciando-se de qualquer intenção de interferir na política interna norte-americana. “A única coisa que eu quero é respeito pelo Brasil, assim como eu tenho pelos Estados Unidos”, reforçou.
Lula aproveitou para alfinetar o conhecimento de Trump sobre a realidade brasileira. Na visão do presidente, o republicano enxerga o Brasil apenas através da lente da família Bolsonaro, o que, segundo ele, revela um desconhecimento profundo sobre o país. Ele ainda ressaltou que a relação entre as nações deve ser pautada pelo código de ética internacional, que preserva a autonomia de cada Estado-nação.
Do outro lado da mesa, Trump havia feito questão de pontuar que o jogo político no Brasil é agressivo, embora tenha sugerido, em tom irônico, que ninguém atua de forma mais incisiva que os Estados Unidos. Enquanto a troca de farpas repercute, o foco do Palácio do Planalto permanece na sinalização de que o período de interferências externas na política nacional está encerrado.































































































