Lagoinha (SP) – O Vale do Paraíba permanece como o epicentro da preocupação sanitária em São Paulo. Um homem de 55 anos, residente em Lagoinha, tornou-se o mais recente registro de febre amarela no estado. O que chama a atenção, além da reincidência do vírus, é a ausência de qualquer histórico de imunização do paciente, um traço comum em todos os casos confirmados ao longo de 2026.
Com essa notificação, o balanço estadual chega a 11 infectados neste ano, sendo que seis dessas pessoas não resistiram às complicações da enfermidade. A concentração geográfica é nítida: nove dos 11 casos foram mapeados no Vale do Paraíba, região que também contabiliza cinco dos seis óbitos registrados até o momento. O cenário exige atenção, especialmente se comparado ao volume total do ano passado, quando São Paulo enfrentou 57 confirmações e 35 mortes.
A proteção contra o vírus depende exclusivamente da vacina, hoje acessível sem custo em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) dos 645 municípios paulistas. Tatiana Lang, que dirige o Centro de Vigilância Epidemiológica, reforça a urgência da procura pela dose, sobretudo para quem pretende frequentar áreas de mata. A estratégia de defesa exige um intervalo: a picada do mosquito silvestre, transmissor da febre amarela, pode ser letal, mas o imunizante precisa de ao menos dez dias para garantir a proteção necessária no organismo.
Quem precisa se atualizar
O esquema vacinal é padronizado, mas gera dúvidas. Para crianças, o ciclo começa aos nove meses, com um reforço essencial aos quatro anos de idade. Caso um adulto tenha recebido apenas uma dose antes de completar cinco anos, a recomendação é buscar uma dose de reforço. Para o público entre 5 e 59 anos que nunca se vacinou, a orientação é aplicar uma dose única. Quem passou por campanhas emergenciais em 2018, utilizando doses fracionadas, deve verificar a caderneta para confirmar se há necessidade de atualização.
É fundamental lembrar que a febre amarela não passa de uma pessoa para outra. O ciclo é mantido pela picada do mosquito em zonas silvestres. Um aviso silencioso da circulação viral costuma ser o encontro de primatas mortos; sempre que isso ocorrer, a vigilância sanitária local deve ser acionada imediatamente.
A doença se manifesta de forma agressiva. O paciente geralmente apresenta, de início, febre súbita, dor de cabeça intensa, náuseas e um cansaço extremo que consome as forças. O SUS adota, desde 2017, a diretriz da dose única para a vida toda, um protocolo respaldado pela OMS. Ignorar essa proteção tem custado caro, como provam os registros recentes na região do Vale do Paraíba.



























































































