Chicago, Estados Unidos – O peso de vestir a camisa do Chicago Bulls costuma esmagar pretensões modestas, mas Tiago Splitter enxerga a pressão por outra perspectiva. Para o novo comandante da franquia de Illinois, assumir uma das marcas mais icônicas do esporte mundial é a oportunidade de desenhar o próprio caminho do zero. Em conversa virtual com jornalistas brasileiros na segunda-feira (22), o treinador de 41 anos comparou o atual momento do time a um quadro em branco, pronto para ser pintado.
A chegada de Splitter a Chicago acontece dias após o anúncio oficial de sua contratação, na terça-feira (16), seguida pela recepção calorosa da torcida no dia seguinte. O desafio é claro: recolocar nos trilhos uma equipe que perdeu o protagonismo após os seis títulos conquistados na era Michael Jordan, nos anos 1990. Hoje, o Bulls passa por uma reestruturação profunda, que inclui a reformulação da diretoria técnica e uma aposta agressiva em atletas jovens — estratégia que ganha força com a quarta escolha no draft desta semana.
Um currículo moldado pelo pioneirismo
O cargo em Chicago consolida uma trajetória de ineditismos para o basquete brasileiro. Splitter já havia gravado seu nome na história ao erguer o troféu de campeão da NBA em 2014, ainda como pivô do San Antonio Spurs. A transição para a lateral da quadra trouxe novos marcos. Na última temporada, ele assumiu de forma repentina o comando do Portland Trail Blazers após o afastamento de Chauncey Billups, investigado pelo FBI por envolvimento em um esquema de pôquer. Ali, tornou-se o primeiro brasileiro a dirigir uma equipe na liga, a comandar em playoffs e a vencer na pós-temporada.
Embora Portland tenha optado por não efetivá-lo ao fim do campeonato, o Bulls viu no ex-jogador o perfil ideal para liderar seu novo ciclo. A mudança de patamar transforma Splitter no primeiro brasileiro contratado em definitivo como técnico principal na história da liga americana. Ele prefere encarar os feitos históricos com naturalidade, focando no trabalho diário em vez das estatísticas de bastidores.
Paciência e estilo de jogo veloz
A mentalidade de reconstrução exigirá paciência de uma torcida acostumada a glórias antigas. Splitter sabe que o processo de maturação de jovens talentos é lento, mas defende a criação de uma cultura interna sólida, que vá além das colunas de vitórias e derrotas imediatas. Taticamente, a proposta é desenhar uma equipe intensa, capaz de acelerar as transições e acumular mais posses de bola por partida. O objetivo final é pavimentar um caminho sustentável para que o Bulls volte a figurar no topo do basquete mundial.



































































































