Estreito de Ormuz, Irã – O cenário geopolítico começou a mudar nesta quinta-feira (18), quando três petroleiros de bandeira saudita cruzaram o Estreito de Ormuz carregando cerca de 6 milhões de barris de petróleo. A movimentação ocorreu poucas horas após o presidente norte-americano, Donald Trump, oficializar um compromisso destinado a frear a crise energética global provocada pelos combates.
O documento, assinado por Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quarta-feira (17), antecipou em dois dias a vigência das medidas. O texto determina a reabertura imediata da via marítima e o fim do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irã. O mercado reagiu rapidamente: o preço do barril de Brent caiu mais de 2%, recuando para menos de US$ 78, o patamar mais baixo desde o início das hostilidades.
Apesar da retomada, o tráfego marítimo deve levar semanas para normalizar. As empresas do setor cautelosamente avaliam riscos, como a presença de minas na região, embora muitos navios já tenham voltado a transmitir suas localizações via transponder, sinalizando maior confiança no corredor.
O memorando assinado estabelece um prazo de 60 dias para negociações definitivas, visando encerrar o conflito deflagrado em fevereiro por Trump e pelo premiê israelense, Benjamin Netanyahu. Contudo, Israel não participou das tratativas. Em um gesto de peso, o acordo exige explicitamente o término total da guerra no Líbano e a garantia de soberania ao território libanês — uma exigência histórica de Teerã.
O desafio de Trump agora é conter seu aliado. Enquanto o acordo era formalizado, as forças de Israel mantinham bombardeios aéreos e disparos de artilharia no sul do Líbano. Relatos de drones sobrevoando Beirute e ataques que atingiram veículos em áreas rurais reforçam a fragilidade da trégua. O cenário afeta diretamente mais de 1 milhão de civis deslocados, que assistem a essa desconexão entre a diplomacia em Washington e a realidade do campo de batalha.
Do lado israelense, autoridades próximas a Netanyahu confirmam que mantêm um canal aberto com Washington. O objetivo, segundo essas fontes, seria garantir a permanência de tropas no sul do Líbano, mesmo diante da crescente pressão pública de Trump, que passou a criticar a demolição desenfreada de edifícios durante as operações militares.
Para quem está no centro do conflito, o otimismo das bolsas de valores soa distante. Mohammed Doghman, um dos milhares de libaneses que abandonaram suas casas em Nabatieh, observa a notícia do acordo pelo celular enquanto vive em uma tenda improvisada. Para ele e tantos outros, a incerteza permanece: o que as potências chamam de fim de guerra ainda não se traduziu na paz real que permita o retorno para casa.








































































































