Vila Velha (ES) – Nove em cada dez moradores de comunidades fluminenses se posicionam contra as operações policiais marcadas por confrontos armados. Em áreas como o Complexo do Alemão, Penha, Maré e Rocinha, a percepção é quase unânime: o modelo atual de enfrentamento bélico não resulta em mais segurança para as famílias. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (20), ouviu mais de quatro mil pessoas presencialmente para entender o impacto real da rotina policial nesses territórios.
Thainã de Medeiros, vice-presidente do Instituto Papo Reto, aponta que a estratégia de segurança impõe um custo invisível aos moradores. Quando a polícia chega, o dia trava: patrões precisam ser avisados da ausência, crianças perdem aulas e o simples ato de ir ao mercado se torna um risco. O direito de ir e vir, cerceado pelo medo de ser atingido por balas perdidas ou ter a casa invadida, é a principal angústia relatada por quem vive sob o fogo cruzado.
O estudo, realizado por seis organizações da sociedade civil — incluindo o Fala Roça e o Redes da Maré —, revela uma contradição curiosa. Mesmo entre os moradores que declaram apoio à presença policial, há uma crítica contundente sobre os excessos e a falta de eficácia na proteção da vida. A frase “o morador paga uma conta que não é dele” resume o sentimento de quem, mesmo defendendo a polícia, não se sente seguro com a lógica do combate. É um sinal claro de que a segurança pública no Rio precisa, urgentemente, aprender a ouvir quem vive o conflito na pele.








































































































