Rio de Janeiro (RJ) – Nathaly Joyce, 21 anos, ajusta os detalhes finais antes de embarcar para o Oriente. Estudante de bacharelado em flauta transversal na UNIRIO e residente de Tomás Coelho, na zona norte carioca, ela integra a sexta turnê internacional da Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga (OSJCG). O grupo, composto unicamente por alunas das redes pública municipal, estadual e federal, prepara-se para cruzar o mundo com o objetivo de apresentar a sonoridade do Brasil em palcos de Xangai e Pequim.
A preparação ganhou fôlego nesta terça-feira (23), com uma apresentação no Corredor Cultural da Central do Brasil. Sob patrocínio da TrensRJ, as jovens executaram clássicos de Tom Jobim, Chico Buarque, Alceu Valença e Vinicius de Moraes. O repertório, porém, não se limitou ao cancioneiro nacional: músicas chinesas foram incluídas no programa para ambientar o grupo ao destino que será alcançado na próxima sexta-feira.
Para Nathaly, a música é uma extensão da própria identidade. “Consigo expressar meu corpo e meus sentimentos no momento exato em que executo uma peça. Para mim, a música é essa liberdade de ser quem sou”, reflete. A expectativa pela viagem é grande, misturando o frio na barriga pelas horas de voo com a curiosidade de quem vai trocar experiências culturais em um país tão distante.
Moana Martins, diretora-executiva do projeto, destaca que a orquestra cumpre um papel duplo: levar o talento brasileiro para fora e representar a força da educação pública nacional. A trupe passará 15 dias em solo chinês, cumprindo uma agenda que faz parte das celebrações do Ano Cultural Brasil-China. No repertório da mala, obras de Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Gilberto Gil e Luiz Gonzaga compõem a identidade sonora que será exportada.
A trajetória das musicistas é marcada por palcos internacionais notáveis, com passagens por Portugal, Espanha, Suíça, França e Estados Unidos. Recentemente, em maio, o grupo esteve no Vaticano, onde foi recebido pelo papa Francisco — na ocasião, as jovens tiveram o privilégio de um encontro direto com o pontífice na Praça São Pedro.
A OSJCG nasceu há cinco anos sob a inspiração de Chiquinha Gonzaga, a pioneira maestrina brasileira. O projeto, vinculado ao programa Geração de Sons, atua hoje em 15 polos situados em áreas de alta vulnerabilidade social no Rio de Janeiro. A estrutura é dividida em etapas, começando com o projeto “Abre Alas”, que introduz meninas a partir dos sete anos ao universo da música. Com mais de 900 participantes atendidas, a iniciativa funciona como uma ponte para a autonomia. Ao atingirem os 12 anos, as estudantes podem disputar vagas na orquestra, que hoje reúne 58 integrantes, culminando na Academia de Monitoras, voltada ao ingresso dessas jovens no mercado de trabalho.








































































































