Vitória (ES) – Nesta quarta-feira, 27 de maio, foi celebrado o Dia da Mata Atlântica. A data ganhou um ato no centro de São Paulo: representantes de territórios ancestrais lançaram oficialmente a Aliança dos Povos e Comunidades Tradicionais Guardiões da Mata Atlântica. O movimento reúne sete fóruns regionais e a Comissão Guarani Yvyrupa, como primeira articulação do grupo.
O evento ocorreu no Largo São Francisco. Entre os participantes estava Ivanildes Kerexu, liderança da Aldeia Rio Bonito, em Ubatuba, no litoral paulista. Ela explicou que a aliança busca fortalecer as comunidades que vivem nos territórios do bioma para enfrentar ameaças, como a especulação imobiliária ligada a grandes empreendimentos.
“Inclusive, tem uma aldeia, uma aldeia da Boa Vista, que 15 anos atrás quase não tinha moradores. E hoje, se a gente passar lá, é tanto morador que vai até quase na entrada da aldeia. Então, é essa especulação imobiliária, pessoas que que fazem as suas casas de veraneio. Então, isso também prejudica, infelizmente”, disse Ivanildes.
Também presente, Wellington Quilombola, presidente da Associação do Quilombo Porto da Areia, em Estância, Sergipe, chamou atenção para o tipo de turismo que chega às comunidades. Segundo ele, esse modelo tende a ser exploratório e não favorece a população local.
“Nós precisamos do turismo e defendemos o turismo, mas tem que ser um turismo que seja bom para todos. E aí, com o turismo, vêm os resorts. Também ajudam a destruir a mata e ajudam a destruir os manguezais. Com os resorts, a gente fica pensando: o que é que querem com esses resorts na nossa comunidade? É pegar o homem nativo, que é pescador, para colocar para lavar os carros, para lavar os quartos, lavar roupa, prato, sendo que ele pode sobreviver da própria pesca? Então, esse tipo de turismo não serve pra a gente.”
A deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara participou do lançamento e ressaltou a função da aliança como espaço para denunciar as pressões enfrentadas por comunidades tradicionais. Ela citou os impactos do desmatamento e da mineração, além da pressão internacional pela exploração de terras raras, apontadas como minerais estratégicos para a transição energética.
“Se as terras raras são exploradas da mesma forma, sem considerar direitos, sem considerar salvaguardas, sem considerar a consulta livre, prévia, informada, as consequências não serão diferentes do que é a exploração do petróleo para os nossos povos. Então, nós temos que pensar, sim, uma transição energética, mas uma transição energética justa, que considere os modos de vida e que respeite os direitos humanos de todas as pessoas.”
Mata Atlântica
No início da colonização portuguesa, a Mata Atlântica cobria 15% do território brasileiro, distribuído ao longo de 17 estados. Hoje, resta pouco mais de 12% da vegetação original do bioma.
Mesmo assim, o território ainda abriga 20 mil espécies de plantas e mais de duas mil espécies de animais.
Com colaboração de Elaine Patrícia Cruz




































































































