Rio de Janeiro (RJ) – O desenho de uma Política Nacional de Economia Criativa avança nos gabinetes de Brasília. A proposta, que será consolidada por meio de um decreto interministerial, pretende inserir o setor de vez na estratégia de desenvolvimento nacional. O trabalho envolve sete pastas, evidenciando que a pauta transborda o Ministério da Cultura ao tocar em áreas como indústria, turismo, ciência, tecnologia e integração regional.
A secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, enfatizou a necessidade dessa articulação ampla durante o Seminário Internacional Caminhos para Fomento e Financiamento, realizado nesta quarta-feira (17) no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro. Segundo a gestora, o objetivo é transformar a economia criativa em uma política de Estado perene, capaz de dialogar com a inovação e a inclusão social.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, sublinhou que a construção desse marco é um esforço coletivo. Para ela, o poder público não dará conta do recado sozinho: é preciso atrair o interesse de empresas e bancos. Investir em cultura, defende a ministra, gera retorno rápido e impulsiona diversas cadeias produtivas. Ela traçou um paralelo otimista com a Coreia do Sul, que há duas décadas fez uma aposta estratégica no setor e colhe hoje os frutos de uma indústria cultural que se tornou motor econômico.
O seminário no Rio marcou o encerramento de um ciclo de escutas regionais conduzido pelo Fórum Brasil Criativo. Desde o ano passado, a equipe percorreu as cinco regiões do país, coletando sugestões e demandas de produtores locais. Até esta quinta-feira (18), o grupo finaliza a Carta do Sudeste, documento que, somado aos demais, servirá de alicerce para o futuro Plano Brasil Criativo.
Entre os participantes do evento, diversas vozes trouxeram a realidade do empreendedorismo cultural. Projetos como o Museu do Hip Hop, no Rio Grande do Sul, a Feira Preta, em São Paulo, e o Ponto de Cultura Alimentar Iacitatá, no Pará, compartilharam os obstáculos cotidianos para manter a sustentabilidade financeira.
Um dos pontos nevrálgicos do debate é a dificuldade de acesso ao crédito tradicional. Luciane Gorgulho, representante do BNDES, explicou que o setor lida majoritariamente com ativos intangíveis — como propriedade intelectual e criação —, o que desajusta os modelos bancários convencionais. A criação de instrumentos específicos, como um possível Fundo Nacional de Economia Criativa, surge como uma alternativa para suprir essa carência de recursos adaptados.
O evento, organizado pelo MinC em parceria com o Sebrae, não encerra apenas uma rodada de conversas, mas tenta fechar o cerco para que a cultura deixe de ser vista apenas pelo viés artístico e passe a ser reconhecida como um pilar indispensável da economia nacional.

























































































