Ibatiba (ES) – Duas partidas na história das Copas do Mundo, dois confrontos contra gigantes que já ergueram a taça e nenhuma derrota na bagagem. A trajetória de Cabo Verde no torneio mundial ganhou mais um capítulo memorável neste domingo (21). Com um empate por 2 a 2 diante do Uruguai, a seleção conhecida como Tubarões Azuis provou que não viajou apenas para passear. Com dois pontos somados, os estreantes dependem apenas de si para avançar às oitavas de final.
O próximo desafio será contra a Arábia Saudita. Dependendo do resultado entre Espanha e Uruguai — caso os espanhóis vençam —, um simples empate bastará para colocar o pequeno país africano na próxima fase. É um cenário difícil de imaginar antes do início da competição.
O primeiro grito de gol
O jogo deste domingo foi daqueles que prendem o espectador do início ao fim. Sem se intimidar pelo peso da camisa celeste, Cabo Verde tomou a iniciativa e abriu o placar. Hélio Varela cobrou uma falta de muito longe; a barreira uruguaia vacilou e se abriu, deixando o goleiro sem reação diante do chute forte. Foi o primeiro gol da história do país em um Mundial, desencadeando uma festa imediata no estádio e nas ilhas do arquipélago africano.
O Uruguai tinha dificuldades criativas, mas a qualidade individual acabou pesando. Após um levantamento de Valverde na área, a bola beijou a trave e, no rebote, Maximiliano Araújo empurrou para as redes. A virada uruguaia veio ainda na primeira etapa. Nos acréscimos, Canobbio, atacante do Fluminense, recebeu livre na pequena área e superou o goleiro Vozinha.
O castigo pela falha
O segundo tempo parecia caminhar para uma vitória burocrática dos sul-americanos, mas o futebol costuma punir a falta de atenção. Um recuo desastroso do lateral Mathías Olivera complicou a vida de Muslera. O goleiro uruguaio tentou sair da área para afastar o perigo, mas Pina foi mais esperto, ficou com a bola e tocou para o gol vazio.
Enquanto o gol de empate decretava o placar final, Olivera desabava no gramado, com o rosto escondido pela camisa. Para Cabo Verde, o apito final foi a confirmação de que a ousadia e a alegria de seu futebol pertencem, sim, ao maior palco do mundo.




































































































