Cachoeiro do Itapemirim (ES) – O cenário de precariedade sanitária em parte da Baixada Fluminense começou a mudar nesta segunda-feira (22). Com a ativação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Queimados, cidades que até então conviviam com a ausência total de infraestrutura básica, como Queimados e Japeri, além de áreas de Nova Iguaçu, passam a contar com um sistema moderno de despoluição. A nova unidade possui capacidade para processar até 51 milhões de litros de dejetos diariamente.
A estrutura ocupa uma área de 38,4 mil metros quadrados nas proximidades do Rio Guandu. A localização estratégica não é por acaso: o despejo de efluentes in natura no manancial, que serve como fonte de abastecimento para 9 milhões de pessoas na região metropolitana do Rio de Janeiro, era uma ferida ambiental aberta. O impacto imediato é a redução drástica da carga de poluentes despejada no rio, aliviando um sistema hídrico sobrecarregado.
O projeto foi viabilizado por meio de um aporte de R$ 640 milhões, resultado de uma articulação entre o programa Saneamento para Todos, do Ministério das Cidades, e o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Para o ministro Vladimir Lima, o sucesso da entrega é um reflexo direto da cooperação entre o setor público e a iniciativa privada. A tese é de que obras de tal magnitude só ganham tração quando governos e empresas atuam em conjunto, dividindo responsabilidades e execuções.
Os números refletem uma realidade social complexa. Em 2024, o Brasil acumulou 336 mil internações decorrentes de doenças ligadas à qualidade da água, resultando em cerca de 11,5 mil mortes. O peso financeiro dessas enfermidades para o sistema público de saúde chega à casa dos R$ 174 milhões, uma conta que, em última análise, é paga pela população que reside em locais com infraestrutura deficitária, muitas vezes marcada por índices de desenvolvimento humano mais baixos.
Radamés Casseb, diretor-presidente da Aegea, controladora da concessionária Águas do Rio, reforça que a entrega é mais do que um marco de engenharia. Para ele, o investimento de R$ 6,3 bilhões feito pela empresa nos últimos cinco anos — e a projeção de alcançar R$ 24 bilhões — é a ferramenta principal para transformar o cotidiano dos fluminenses. O ganho em saúde e a criação de postos de trabalho aparecem, no discurso da companhia, como os pilares dessa transformação urbana.
Para os 270 mil moradores da área beneficiada, a inauguração da estação simboliza o fim de um gargalo histórico. O desafio, agora, será a manutenção contínua e a expansão dessas redes, garantindo que o tratamento de esgoto não seja mais uma exceção geográfica, mas o padrão esperado em todo o território fluminense.








































































































