Rio de Janeiro (RJ) – Quarenta e oito horas após o vendaval de quarta-feira (29), o rastro de destruição na infraestrutura do estado do Rio de Janeiro ainda se traduz em escuridão e prejuízos para milhares de pessoas. Na tarde desta sexta-feira (31), aproximadamente 105 mil imóveis continuavam sem eletricidade. O problema mobiliza equipes de reparo em regime de urgência, mas a demora em solucionar os problemas gera queixas em áreas urbanas e turísticas.
Na área de cobertura da Light — que atende a capital fluminense, a Baixada Fluminense, a Região Metropolitana e o Vale do Paraíba —, o apagão persistia para 80 mil clientes. O cenário não é muito diferente no território da Enel Rio, concessionária responsável por municípios do interior, Regiões dos Lagos e Serrana, Costa Verde e Norte Fluminense. Por volta das 15h desta sexta-feira, a empresa registrava 25 mil pontos sem energia.
A estância turística de Paraty desponta como um dos pontos mais críticos da crise. No bairro Caborê, nos arredores do Centro Histórico, a norte-americana Kristin Lena Muller tenta administrar o impacto financeiro na Pousada Casa Ecológica Paraty. Desde quarta-feira, o fornecimento no estabelecimento oscilou antes de apagar de vez na quinta-feira. Com capacidade para hospedar até 20 pessoas em três bangalôs, ela se viu obrigada a bloquear reservas.
Com a rotina paralisada pela falta de luz, as tarefas mais básicas tornaram-se inviáveis. Lena relata que perdeu os alimentos armazenados nos refrigeradores e precisou interromper a lavagem de roupas e a manutenção do local. A empresária critica as atualizações desencontradas fornecidas pela concessionária por mensagens de texto, que adiam sucessivamente a previsão de retorno. Segundo ela, a precariedade do serviço afeta a reputação turística da cidade, forçando estabelecimentos a tratarem geradores próprios como um item obrigatório de sobrevivência.
A poucos metros dali, a jornalista e publicitária Flávia Carrijo partilha da mesma frustração após passar mais de 30 horas no escuro. Além da comida estragada e dos banhos frios, ela enfrenta dificuldades para exercer o trabalho remoto. Embora elogie a agilidade da prefeitura em remover os galhos das ruas, Flávia aponta que o restabelecimento da rede elétrica pela Enel é lento. Ela recorda que o problema não é inédito: durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada na semana anterior, a cidade enfrentou sete horas de blecaute generalizado mesmo sem condições climáticas adversas.
Desafio técnico e reconstrução da rede
A Enel Rio informou que os maiores gargalos estão concentrados em Niterói e Paraty, onde 3,5 mil clientes seguem desatendidos. A distribuidora argumenta que os estragos demandam a reconstrução completa de trechos da fiação, com troca de postes e transformadores destruídos por árvores de grande porte. A expectativa da empresa é concluir os reparos ainda no fim da tarde desta sexta-feira.
Do lado da Light, uma força-tarefa composta por mais de 2 mil eletricistas e técnicos trabalha para consertar os danos estruturais. Na capital fluminense, a queda de cerca de 220 árvores arrebentou cabos e derrubou postes, afetando severamente bairros da Zona Oeste como Campo Grande, Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio. Na Baixada Fluminense, os municípios de Nova Iguaçu e Duque de Caxias concentram as piores avarias.
Alerta mantido no município
Diante das ocorrências pendentes, o Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio (COR-Rio) manteve a capital em Estágio 2. De acordo com o Sistema Alerta Rio, a chegada de ventos úmidos vindos do oceano deve preservar o céu nublado ou parcialmente encoberto na região. A previsão meteorológica indica temperaturas estáveis, com mínima de 15°C e máxima estimada em 29°C.






































































































