Baixo Guandu (ES) – O 30 de junho é marcado mundialmente pela reflexão sobre os riscos e o valor científico dos corpos celestes que orbitam perto do nosso planeta. Proclamada pela ONU em 2016, a efeméride remete ao evento de Tunguska, ocorrido em 1908 na Sibéria, que permanece registrado como o maior impacto de um asteroide na história moderna da humanidade.
Para o astrofísico Nuno Peixinho, pesquisador do Instituto de Astrofísica e de Ciências do Espaço e da Universidade de Coimbra, a data não é apenas simbólica. O cientista argumenta que possuímos hoje a tecnologia necessária para prevenir catástrofes — como a que extinguiu os dinossauros há 66 milhões de anos — e que negligenciar essa capacidade seria um erro estratégico.
A linha de frente dessa defesa planetária reside na identificação dos Objetos Próximos da Terra, conhecidos pela sigla NEOs. Trata-se de asteroides e cometas cujas órbitas passam a menos de 1,3 unidades astronômicas do Sol. Em 2025, os registros da ESA indicam a existência de mais de 40 mil desses corpos. Embora a maioria dos grandes objetos já esteja mapeada, o desafio atual concentra-se nos de dimensões médias, entre 100 e 300 metros de diâmetro.
A detecção torna-se mais complexa à medida que o tamanho do objeto diminui. Sistemas automatizados e robotizados estão sendo empregados para monitorar esses corpos menores, cuja identificação ainda é limitada. Estimativas da ESA sugerem que conhecemos apenas 30% desse grupo específico, que, apesar de menor, tem potencial para causar danos regionais severos caso atingissem a superfície terrestre.
Entretanto, o interesse pelos asteroides transcende a necessidade de proteção. Eles funcionam como cápsulas do tempo que revelam a origem do Sistema Solar e o surgimento da vida. Estudos analisam, por exemplo, se a água existente no nosso planeta foi trazida por esses objetos ou o papel desempenhado por partículas ricas em carbono na evolução biológica.
Olhando para o futuro, o cenário deixa o campo da ficção científica e entra na viabilidade econômica. A redução dos custos de acesso ao espaço coloca a mineração de asteroides no horizonte como fonte de recursos. Extrair água desses corpos celestes é visto como um trunfo logístico fundamental para sustentar bases lunares ou futuras missões a Marte, eliminando a dependência do envio de suprimentos a partir da Terra.
Essa articulação, que envolve segurança global e exploração estratégica, tem sido debatida por organismos como o Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos do Espaço Exterior. Entre 10 e 19 de junho, a Comissão das Nações Unidas para a Utilização Pacífica do Espaço Exterior, em Viena, discutiu o planejamento coletivo da defesa planetária, reafirmando que o monitoramento do céu é um desafio que exige cooperação internacional.
































































































