Assunção, Paraguai – O governo brasileiro colocou sobre a mesa uma nova cifra para a integração sul-americana: US$ 100 milhões anuais destinados ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). O anúncio foi feito pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na segunda-feira (29), em Assunção, durante a reunião do Conselho do Mercado Comum. A proposta, que marca uma guinada em relação à intenção inicial de encolher o fundo para US$ 30 milhões, será ratificada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (30).
A manobra política serve para destravar negociações que vinham enfrentando resistência de Paraguai e Uruguai. O Focem, criado em 2004, atua como um pulmão financeiro para projetos de infraestrutura, saneamento, energia e desenvolvimento regional. O objetivo histórico é diminuir o abismo socioeconômico entre os países-membros, focando especialmente em zonas fronteiriças.
A matemática do bloco
O Brasil carrega, historicamente, o peso principal desta conta, sendo responsável por aproximadamente 70% de tudo o que entra no fundo. A Argentina figura como a segunda maior investidora, com cerca de 27%. Contudo, a lógica de distribuição é invertida: o Paraguai concentra 48% dos benefícios, enquanto o Uruguai absorve 32% dos recursos aportados.
Vieira deixou claro que, desta vez, o compromisso brasileiro não será um cheque em branco isolado. Existe uma expectativa — e uma pressão diplomática — para que a Argentina acompanhe o ritmo de investimento. O entendimento em Brasília é de que o esforço deve ser coletivo, envolvendo todos os sócios, principalmente aqueles que são os maiores receptores de verbas.
Impacto e próximos passos
Ao longo de duas décadas, o Focem financiou desde rodovias e redes elétricas até laboratórios de pesquisa e projetos de cidadania indígena. A intenção de elevar o aporte reflete uma tentativa de reanimar a coesão do bloco em um momento em que a pauta econômica ganha contornos de urgência na Cúpula.
Ainda assim, a promessa de US$ 100 milhões não é imediata. Para que o dinheiro saia do papel e chegue às obras, é necessário que o arranjo seja consolidado entre as nações e, posteriormente, passe pelo crivo dos Legislativos de cada país. Com a decisão, o Brasil joga uma carta alta para retomar o protagonismo na integração regional, apostando que a infraestrutura pode, finalmente, encurtar as distâncias geográficas e políticas entre os vizinhos.






























































































