Serra (ES) – O maior clássico das Américas vai definir o campeão do futebol de cegos nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia. Nesta quarta-feira (15), às 18h (horário de Brasília), Brasil e Argentina entram em campo em um confronto repleto de história e rivalidade recente, com transmissão ao vivo pela internet, no canal do YouTube da emissora pública local Señal Colômbia.
Os brasileiros chegam à decisão amparados por uma campanha impecável do setor defensivo, que ainda não sofreu gols no torneio. A equipe venceu quatro dos cinco duelos da fase inicial, disputada em pontos corridos. O último ensaio antes da final ocorreu em Agustín Codazzi, a 62 quilômetros da sede oficial, onde o Brasil goleou o Peru por 5 a 0 na segunda-feira (13).
Antes disso, a trajetória incluiu vitórias magras de 1 a 0 sobre Chile e Colômbia, e um atropelo de 18 a 0 contra o Panamá na estreia. O único tropeço — se é que se pode chamar assim — foi justamente um empate sem gols contra a Argentina.
Rivalidade histórica e feridas abertas
O duelo de gigantes no futebol para deficientes visuais carrega um peso imenso. Brasileiros e argentinos dividem a hegemonia histórica na modalidade, sendo os únicos vencedores das oito edições já disputadas do Campeonato Mundial. Em Copas do Mundo, decidiram a taça cinco vezes, com quatro triunfos do Brasil (1998, 2000, 2014 e 2018) e um da Argentina (2006). Os argentinos, contudo, ostentam o título mundial de 2023, conquistado em Birmingham.
O retrospecto recente também apimenta a final. O último encontro oficial antes dos Jogos aconteceu na semifinal da Paralimpíada de Paris, em 2024, quando a Argentina eliminou o Brasil nos pênaltis após novo 0 a 0. Aquela derrota tirou os pentacampeões paralímpicos de uma final pela primeira vez na história. Em 2022, na Copa América de Córdoba, os rivais também levaram a melhor nas penalidades após um empate sem gols.
Chuva de medalhas consolida liderança geral
Enquanto o futebol busca o topo, a delegação brasileira brilha intensamente nas outras modalidades. A segunda-feira registrou o melhor desempenho do país em um único dia nesta edição dos Jogos Parasul-Americanos, com 41 idas ao pódio (13 ouros, 17 pratas e 11 bronzes).
Com esses resultados, o Brasil atingiu a marca de 161 medalhas (70 de ouro, 57 de prata e 34 de bronze), abrindo uma vantagem de 21 ouros sobre a Colômbia, vice-líder. Logo atrás, Argentina e Venezuela aparecem com mais ouros que o Chile, assumindo a terceira e a quarta posições, respectivamente.
O atletismo liderou a colheita brasileira com 19 medalhas na pista e no campo. O grande destaque foi a dobradinha feminina nos 400 metros da classe T12, para atletas com baixa visão, vencida por Lorraine Aguiar, seguida de Ketyla Teodoro. Na piscina, foram 14 pódios, incluindo outra dobradinha nos 100 metros livre da classe S14 (deficiência intelectual), com Ana Karolina Soares garantindo o ouro e Stephanie Ariodante com a prata.
A bocha feminina também garantiu dois ouros: Clarice Sobreira venceu na classe BC2 e Débora Bargas dominou a classe BC3. Para fechar o dia de conquistas, a dupla mista de tiro com arco W1, formada por Juliana da Silva e Eugênio Franco — o atleta mais experiente do Brasil em Paris, aos 64 anos —, assegurou mais uma medalha dourada para o país.






















































































