Baixo Guandu (ES) – O processo de organização das próximas eleições entrou em uma nova etapa. Cidadãos selecionados para integrar as mesas receptoras de votos ou prestar suporte logístico nos locais de votação começaram a receber, via correio, a carta de convocação oficial. O documento é minucioso: descreve qual será o papel desempenhado pelo colaborador, a seção específica onde ele atuará e os detalhes necessários para o treinamento exigido pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Nem sempre, contudo, a convocação é definitiva. Quem recebe o chamado, mas enfrenta algum impedimento real para comparecer no dia do pleito, tem um caminho para solicitar o desligamento. O prazo para apresentar o requerimento ao juiz eleitoral é de apenas cinco dias, contados logo após a publicação do edital de nomeação. Nesses casos, o cidadão deve apresentar provas concretas que justifiquem a impossibilidade de exercer o trabalho cívico.
No cotidiano das seções eleitorais, o mesário é o rosto do sistema. Entre suas obrigações, cabe a verificação da identidade do eleitor e a execução da chamada “zerésima”. Esse rito técnico garante, diante de fiscais e demais presentes, que a urna eletrônica esteja com o saldo de votos zerado antes da abertura oficial das urnas. É um processo que exige atenção e rigor.
Para compor essas equipes, a Justiça Eleitoral costuma privilegiar quem já tem experiência em pleitos anteriores, aproveitando a familiaridade com o fluxo de trabalho. A seleção é feita a partir da base de eleitores, embora o cadastro de voluntários também desempenhe um papel importante na montagem dos quadros. O volume total de pessoas mobilizadas ainda é uma incógnita, mas serve como base o contingente recorde de 2022, quando 1,5 milhão de brasileiros ocuparam essas funções.
Embora não haja remuneração financeira direta pelo serviço, a lei prevê compensações. Para cada dia de trabalho ou de treinamento, o mesário ganha direito a dois dias de folga no emprego. O auxílio-alimentação, fixado em R$ 65, é garantido, e estudantes universitários podem converter o tempo dedicado ao processo eleitoral em horas de atividade extracurricular, uma troca frequentemente valorizada no meio acadêmico.
O calendário eleitoral já está definido. O primeiro turno acontece no dia 4 de outubro, quando os brasileiros elegerão deputados federais, estaduais e distritais, além de governadores, senadores e o presidente da República. A necessidade de um segundo turno — voltado exclusivamente às disputas para o Executivo — está prevista para o dia 25 de outubro. Esse desfecho ocorre apenas caso nenhum candidato ao cargo de governador ou presidente alcance a maioria absoluta dos votos válidos, excluindo-se brancos e nulos, na primeira rodada.






























































































