Brasília (DF) – Um impasse jurídico no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interrompeu, nesta terça-feira (9), a definição sobre a validade de uma pesquisa de intenção de voto realizada pela AtlasIntel para a Presidência da República. O julgamento parou após um pedido de vista da ministra Estela Aranha, logo após o primeiro voto ser proferido. Até agora, o placar registra 1 a 0 a favor de manter a suspensão do levantamento. Não há previsão de quando o debate será retomado.
A polêmica começou na segunda-feira (8), quando o presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques, determinou, de forma individual, que o estudo fosse retirado do ar. Sob a ótica do magistrado, o questionário aplicado pela empresa continha perguntas indutivas, que poderiam direcionar o pensamento e as respostas dos eleitores entrevistados. A liminar atendeu a uma reclamação direta do PL, partido que contestou a metodologia utilizada.
Divulgada originalmente em 19 de maio, a pesquisa apontou um recuo de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se apresenta como pré-candidato ao Planalto. A oscilação negativa ocorreu logo após vir a público uma conversa gravada entre o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro. No áudio, Flávio pedia apoio financeiro para a produção de “Dark Horse”, um longa-metragem biográfico sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com o veto provisório determinado por Nunes Marques, a AtlasIntel ficou impedida de manter os dados publicados em suas plataformas oficiais. A empresa também não pode republicar ou impulsionar o conteúdo nas redes sociais. Na sessão desta terça-feira, o plenário se reuniu para decidir se manteria ou derrubaria essa determinação individual do presidente do tribunal.
Ao justificar seu posicionamento, Nunes Marques defendeu que havia indícios consistentes de desvio na neutralidade científica exigida para esse tipo de amostragem. O ministro apontou que a ordem das perguntas relativas ao chamado “caso Master” sugeria uma narrativa prévia aos entrevistados. Para ele, a introdução de estímulos informativos no meio do questionário comprometeu a isenção necessária para medir a opinião pública de maneira espontânea.
Do lado da desenvolvedora da pesquisa, o advogado Gualter Rafael Maciel Bezerra argumentou que a contestação do partido de oposição carece de base técnica. Segundo o defensor da AtlasIntel, a sigla partidária não demonstrou o descumprimento de nenhuma norma eleitoral vigente, limitando-se a manifestar uma insatisfação subjetiva diante de um fato político amplamente noticiado e de interesse público — a relação de Flávio com o executivo do Banco Master.
Já a advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representou os interesses do PL no julgamento, sustentou que o zelo pela integridade das pesquisas eleitorais deve ser uma preocupação de todas as forças políticas. Ela apontou uma falha grave na transparência do levantamento: o fato de que um vídeo teria sido exibido aos participantes durante a coleta de dados, sem que essa mídia ou sua respectiva transcrição constassem na documentação oficial enviada à Justiça Eleitoral.





























































































