Rio de Janeiro (RJ) – O som do Baixo Tocantins desembarcou no Rio de Janeiro. A banda Baile do Mestre Cupijó iniciou nesta sexta-feira (3) uma série de apresentações que marcam os 50 anos do siriá, um dos gêneros mais representativos da musicalidade amazônica e primo próximo do carimbó. O grupo, que carrega o legado do cametaense Joaquim Maria Dias de Castro — o Mestre Cupijó —, resgata uma história que vai além das notas musicais, abrangendo a trajetória de um homem que foi, ao mesmo tempo, advogado, vereador, compositor e o grande arquiteto da modernização desse estilo folclórico.
A turnê é viabilizada pelo Edital Cultura Sesc Rio Pulsar e percorre diferentes unidades do estado. A agenda começou no Sesc São Gonçalo, às 19h desta sexta. No domingo (5), o espetáculo segue para o Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis, às 18h. A programação continua no dia 8, no Sesc Copacabana, às 19h, e encerra o ciclo no dia 11, no Sesc Nova Iguaçu, a partir das 16h.
O diretor do conjunto, João P. Cavalcante, explica que o repertório é uma celebração direta aos quatro álbuns gravados por Cupijó entre 1974 e 1976: os volumes 1 e 2 de Siriá, seguidos pelos volumes 3 e 4. Essas obras foram cruciais para projetar o ritmo nacionalmente. “Estamos revisitando esse material para promover um verdadeiro baile da música feita na Amazônia”, comenta Cavalcante, que já articula o lançamento de um novo álbum, previsto para o final de 2026 ou início de 2027.
A origem da banda remonta ao esforço de preservação da memória do Mestre, falecido em 2012. Após a produção de um documentário biográfico assinado pela cineasta Jorane Castro, sobrinha do músico, surgiu a necessidade de manter vivo o acervo deixado por ele. O grupo, hoje composto por dez músicos, integra metais, cordas e uma percussão amazônica característica, apresentando agora um novo formato com a cantora Carla Costa nos vocais — uma mudança que, segundo o diretor, conferiu uma sonoridade renovada ao espetáculo.
O acesso aos shows reflete um compromisso com a democratização cultural. As apresentações possuem classificação livre e contam com intérpretes de Libras. Conforme as regras do Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG), o público com renda familiar de até dois salários mínimos por pessoa tem entrada gratuita. Para os demais interessados, os ingressos custam R$ 15, com opção de meia-entrada por R$ 7,50.
Mais do que uma homenagem, o projeto funciona como uma leitura contemporânea de um patrimônio vivo. Ao misturar dança, história e a potência rítmica do Pará, o Baile do Mestre Cupijó garante que a tradição iniciada no Baixo Tocantins continue ecoando por novas geografias, mantendo o siriá relevante para as próximas gerações.




































































































