Guarapari (ES) – Os cafeicultores integrados à Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) atingiram, até o encerramento da terceira semana de junho, a marca de 18% da colheita de arábica prevista para o ciclo de 2026. A estimativa atual da entidade aponta para um volume total de 2,859 milhões de sacas de 60 kg na região, número que reflete a força produtiva das propriedades assistidas pela cooperativa.
Apesar do progresso, o cronograma original de cata e beneficiamento sofreu alterações pontuais devido à instabilidade climática. Registros técnicos indicam que, entre os dias 13 e 18 de junho, houve um acumulado de 32,8 milímetros de chuva, o que gerou dificuldades logísticas imediatas. O excesso de umidade nos terreiros e a necessidade de interromper as atividades de campo comprometeram temporariamente a velocidade da secagem dos grãos, atrasando algumas etapas cruciais da colheita.
A expectativa é de uma mudança favorável no panorama meteorológico. As projeções para o intervalo de 19 a 24 de junho indicam uma redução drástica nas precipitações, com um volume esperado de apenas 4,1 milímetros. Essa janela de tempo seco é vista com otimismo pelo setor, já que 59% dos frutos estão atualmente no estágio cereja, ponto ideal para a colheita. Com o retorno do tempo firme, espera-se uma aceleração na movimentação das lavouras e na recuperação do ritmo de secagem.
Os técnicos da Expocacer ponderam que, embora o contato dos frutos com a umidade e a eventual queda de cafés no solo possam oferecer riscos à qualidade de lotes específicos, o saldo geral da safra permanece positivo. Em paralelo à colheita, produtores em áreas onde a operação já foi encerrada deram início às práticas de manejo pós-colheita, focadas na recuperação nutricional e estrutural das plantas para assegurar bons resultados na temporada seguinte.
Para garantir a confiabilidade dos dados, a cooperativa utiliza uma metodologia rigorosa de amostragem, monitorando propriedades selecionadas aleatoriamente por todo o Cerrado Mineiro. Esse processo garante que as informações reflitam a realidade de uma vasta e diversa área de produção.
A Expocacer, que movimentou cerca de R$ 3 bilhões em 2025, mantém um quadro de 805 associados e tem se destacado pelo pioneirismo em sustentabilidade. Atualmente, a organização contabiliza 19,4 mil hectares dedicados ao café regenerativo, com o compromisso de expandir essa área para 29 mil hectares até 2027. A entidade ostenta o selo global de Certificação em Agricultura Regenerativa, emitido pela Control Union após avaliações da Regenagri, além de ter validado seus processos junto à Rainforest Alliance conforme os padrões internacionais SAS e RAS.
Como peça central na governança da Região do Cerrado Mineiro — a primeira Denominação de Origem para café no Brasil —, a Expocacer contribui para a valorização de um território de 250 mil hectares. A área, que engloba 55 municípios, reúne mais de 4,5 mil produtores dedicados a cultivar um produto reconhecido mundialmente por suas propriedades sensoriais únicas, que conferem identidade inigualável à produção local.

































































































