Houston, Estados Unidos – O relógio marcava 49 minutos do segundo tempo em Houston quando a tensão que travava a seleção brasileira finalmente se desfez. Em um passe cirúrgico de Bruno Guimarães, que recebeu de Rayan, a bola encontrou Gabriel Martinelli livre diante do goleiro Zion Suzuki. O chute cruzado ainda beijou a trave antes de balançar a rede e garantir a vitória por 2 a 1 sobre o Japão, nesta segunda-feira (29). O resultado suado carimbou o passaporte nacional para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.
Agora, o grupo comandado por Carlo Ancelotti aguarda o vencedor do confronto entre Noruega e Costa do Marfim, que jogam nesta terça-feira (30), às 14h (de Brasília), em Dallas. O próximo desafio brasileiro já tem data e local definidos: domingo (5), às 17h, em Nova Jersey.
O peso da herança e da ficção
Havia um roteiro quase místico em torno do gramado texano. O Japão, historicamente moldado pelo futebol brasileiro graças a lendas como Zico e Ruy Ramos, encarava o confronto como o teste definitivo do discípulo contra o mestre. A própria cultura pop japonesa alimentou o imaginário dos torcedores: o clássico anime “Super Campeões”, inspirado na trajetória de Musashi Mizushima — que defendeu o São Paulo entre as décadas de 1970 e 1980 —, encerrou sua saga na TV justamente no apito inicial de uma final fictícia entre Brasil e Japão. Para os fãs, a partida em Houston era a continuação real daquela história.
Primeiro tempo de desajustes
Mas a realidade se impôs de forma dura no primeiro tempo. Repetindo a escalação que havia vencido a Escócia por 3 a 0 na quarta-feira (24), em Miami, o Brasil até ensaiou uma pressão inicial. Matheus Cunha assustou aos 12 minutos em chute defendido por Suzuki. No entanto, o controle logo ruiu. Adiantando as linhas, os Samurais Azuis puniram um erro de passe de Danilo aos 28 minutos. Kaishu Sano interceptou, driblou Casemiro — que já jogava pendurado com cartão amarelo — e bateu rasteiro no canto de Alisson para abrir o placar.
O gol desestabilizou a seleção. Com Vinícius Júnior e Rayan isolados pelas pontas e uma marcação japonesa implacável, a equipe abusou de passes burocráticos e cruzamentos sem direção.
A reação pelo alto
A reação começou no vestiário. Lucas Paquetá, sentindo dores na coxa esquerda, deu lugar a Endrick. A mudança empurrou o Brasil ao ataque, apostando na força aérea. Após Douglas Santos escorar um cruzamento e ver Takehiro Tomiyasu salvar quase em cima da linha, o empate veio aos nove minutos. Gabriel Magalhães cruzou com precisão para Casemiro testar firme para as redes, sem chances para o goleiro.
O gol de empate reacendeu o time. Vinícius Júnior quase virou o placar em uma jogada espetacular que terminou com um chute de bico na trave. Ancelotti colocou Martinelli na vaga de Matheus Cunha, oxigenando o ataque. Quando a prorrogação parecia inevitável e Casemiro já havia deixado o campo com dores para a entrada de Fabinho, Martinelli apareceu para decretar a festa dos 68 mil torcedores presentes no estádio.




























































































