Nova Jersey, Estados Unidos – O ambiente na concentração da Seleção Brasileira em Nova Jersey, no hotel The Ridge, reflete o momento de transição da equipe. Após uma estreia contida diante de Marrocos, o Brasil engatou uma sequência positiva — vitórias sobre Haiti, Escócia e Japão — que mudou a percepção externa sobre o grupo. Ainda assim, Matheus Cunha mantém os pés no chão, recusando qualquer rótulo de favorito para o duelo contra a Noruega, marcado para este domingo (5), às 17h, pelas oitavas de final.
A postura do atacante contrasta com o episódio recente diante do Japão. Em Houston, após o triunfo por 2 a 1, Cunha rebateu uma provocação de Kento Shiogai. O japonês havia questionado o peso da camisa brasileira dois dias antes, recebendo como resposta de Cunha o sinal de cinco dedos. O jogador classificou o comentário do adversário como desrespeitoso, uma reação que destoa do tom adotado ao comentar as opiniões de Lionel Scaloni e Erling Haaland.
Diferente de Shiogai, o técnico da Argentina e o atacante norueguês reconheceram a força do elenco brasileiro. Para Cunha, ouvir elogios de alguém como Haaland é gratificante, mas não altera a realidade do gramado. O jogador do Manchester United enfatiza que tais menções, embora respeitáveis, não interferem no desempenho tático. A estratégia, segundo ele, é simples: consolidar a identidade do time a cada partida, ignorando as projeções feitas fora das quatro linhas.
Desafios na formação
O desafio técnico ganha contornos de incerteza com a baixa de Lucas Paquetá. O meia, lesionado no músculo posterior da coxa esquerda durante a última partida, desfalca a equipe no momento em que as rotinas de jogo começavam a fluir. A escolha do substituto para o confronto contra os noruegueses fica a cargo de Carlo Ancelotti, que possui opções com características distintas, como o volante Danilo Santos e os atacantes Gabriel Martinelli e Endrick.
Cunha analisa as alternativas com pragmatismo. Enquanto Martinelli oferece maior profundidade ao ataque, a entrada de Danilo traria uma estrutura mais rígida ao meio-campo. No caso de Endrick, que assumiu a vaga logo após a saída de Paquetá no duelo anterior, o cenário tático para o camisa 9 se transforma. O atacante admite que a mudança de peças altera sua função em campo, forçando-o a transitar entre a referência na área, a armação e a recomposição defensiva.
Ainda assim, o vice-artilheiro brasileiro no torneio, com três gols, demonstra estar confortável com a versatilidade. Seja operando em zonas que atraem menos olhares ou como protagonista na finalização, seu objetivo permanece o mesmo: garantir que o grupo chegue preparado para o que o mata-mata exige. O favoritismo, para ele, é apenas uma narrativa externa; a prova real acontecerá no gramado de Nova Jersey.
































































































