Brasília (DF) – O cenário das relações comerciais brasileiras mudou na última quinta-feira, dia 2, com a oficialização da ratificação de dois acordos assinados pelo Mercosul. O movimento envolve parcerias com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e, simultaneamente, com o governo de Singapura. O anúncio partiu de um esforço conjunto dos Ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A aliança firmada com a EFTA — composta por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça — aguarda agora o trâmite protocolar junto às autoridades norueguesas. Esse mercado conjunto abriga cerca de 280 milhões de potenciais consumidores. O impacto prático é direto: as condições estabelecidas garantem livre acesso a praticamente 99% do montante exportado pelo país para essas nações. Em números absolutos, o fluxo de mercadorias atingiu US$ 7,8 bilhões em 2025.
A parceria com Singapura carrega um peso diplomático singular por ser o primeiro compromisso do Mercosul com uma economia do Sudeste Asiático. A partir de 1º de agosto, as exportações brasileiras para o território singapuriano terão tarifa zero. O histórico recente mostra uma balança favorável ao Brasil: no último ano, as trocas somaram US$ 10,7 bilhões, resultando em um superávit de US$ 4,1 bilhões. Na lista de produtos que compõem esse volume, destacam-se a venda de óleos combustíveis, máquinas, equipamentos diversos e proteína animal.
O processo de ratificação ganhou tração no dia 30 de junho, quando os instrumentos formais foram depositados junto ao governo paraguaio, que ocupava a presidência rotativa do Mercosul à época. O cálculo da equipe econômica é otimista em relação ao futuro das transações internacionais do país.
A perspectiva governamental aponta para uma mudança expressiva na estrutura de exportação. Ao considerar a vigência destes dois novos pactos em conjunto com o acordo firmado com a União Europeia, a fatia do comércio brasileiro contemplada por vantagens tarifárias deve saltar significativamente. A estimativa oficial é que essa cobertura suba de 12% para 31%, consolidando uma estratégia voltada à redução de barreiras e à maior inserção das empresas brasileiras em cadeias globais de valor.


































































































