La Guaira, Venezuela – O som das palmas de bombeiros e voluntários, nacionais e estrangeiros, rompeu o silêncio da zona de desastre na segunda-feira (29). Hernán Alberto Gil, de 44 anos, foi retirado vivo das ruínas de um shopping em La Guaira, nove dias após ser engolido pelo colapso da estrutura durante os terremotos que devastaram a região. A operação, marcada pela extrema instabilidade dos escombros, exigiu a escavação de dois túneis precisos e o uso de um duto para garantir a hidratação mínima do sobrevivente enquanto ele aguardava o resgate.
Embora o caso de Hernán traga uma ponta de otimismo, o cenário na Venezuela permanece crítico. As estimativas oficiais indicam que mais de 38 mil pessoas continuam desaparecidas em todo o território nacional. A paisagem de La Guaira, antes um polo de turismo, foi reduzida a um amontoado de prédios colapsados que exigirá meses de trabalho intensivo para limpeza e recuperação.
A esposa do segurança, que manteve vigília sem qualquer notícia durante mais de uma semana, descreveu a sobrevivência do marido como uma prova de resiliência. O médico Luiz Rodrigues, responsável pelos primeiros cuidados no hospital, classificou o estado de saúde de Hernán como surpreendente, apontando que ele permanece consciente e apresenta sinais vitais estáveis, a despeito do longo período sem nutrição adequada.
Enquanto o trabalho de resgate continua, a rotina dos sobreviventes em La Guaira mudou drasticamente. Um centro esportivo da cidade foi convertido em um abrigo centralizado, servindo agora como ponto de distribuição de mantimentos, água e insumos médicos. Onde antes se ouviam gritos de torcidas em partidas de futebol, agora se aglomeram dezenas de famílias que perderam suas casas.
Entre os que buscam recomeçar no abrigo está Alfredo Quintana. Ele recorda o momento do tremor com vivacidade, quando precisou derrubar uma parede para garantir a fuga de seus familiares. A angústia de ver uma de suas filhas gravemente ferida — com lacerações que exigiram cerca de 400 pontos — ainda é recente. Agora, sob os cuidados constantes da equipe médica do centro de acolhimento, o pai encontra um mínimo de tranquilidade ao ver a melhora diária da filha, em meio a um esforço coletivo que tenta organizar o caos instalado na região.


































































































