Brasília (DF) – O saber milenar dos povos indígenas, que antecipou conceitos técnicos hoje celebrados pela ciência, está no centro de uma nova iniciativa nacional. O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) encerra, no próximo dia 10, o prazo para inscrições gratuitas no concurso dedicado à arquitetura e ao urbanismo indígena, um esforço que busca documentar e reconhecer a origem de soluções construtivas e territoriais brasileiras.
A iniciativa nasceu sob o guarda-chuva da Comissão de Políticas Urbanas e Ambientais, que tem se aprofundado nos debates sobre a demarcação de terras e o modo de ocupação das populações tradicionais. Segundo a presidente em exercício do CAU/BR, Leila Marques, o projeto reconhece que técnicas modernas — rotuladas hoje como soluções baseadas na natureza — possuem raízes profundas nas vivências passadas de geração em geração pelos povos originários.
Foco em sustentabilidade e bioclimática
O edital, que também contempla a arquitetura de comunidades ribeirinhas, destaca a eficiência do manejo de materiais naturais. Madeira, bambu, fibras e palhas, quando aplicados por esses grupos, demonstram um entendimento preciso de conforto térmico e ventilação cruzada. Sem o uso de pregos ou parafusos, as estruturas são erguidas com encaixes duráveis, que respeitam o clima e o ecossistema. É, na prática, a arquitetura bioclimática executada de forma empírica muito antes de se tornar um verbete acadêmico.
Esta é a primeira vez que o sistema CAU realiza um concurso desta natureza. A proposta vai além do projeto residencial; abrange espaços públicos, locais de festejos e a dinâmica coletiva de ocupação. O objetivo do órgão é claro: reunir os 13 artigos e projetos mais relevantes de cada categoria em uma publicação inédita, garantindo que esse histórico não seja perdido. Para o conselho, preservar a história construtiva é um passo essencial para o futuro da profissão.
Participação e premiação
O chamamento é amplo. Podem participar arquitetos, urbanistas, pesquisadores, estudantes de pós-graduação e integrantes de coletivos de pesquisa. Não há obrigatoriedade de que os artigos tenham sido publicados anteriormente em revistas científicas. O critério principal é a conexão com temas de sustentabilidade, preservação cultural e o desenvolvimento socioambiental na Amazônia Legal.
O reconhecimento financeiro para os selecionados segue uma escala definida: os primeiros lugares de cada categoria recebem R$ 10 mil, seguidos por prêmios de R$ 6 mil para os segundos e R$ 4 mil para os terceiros. Os trabalhos classificados entre a quarta e a 13ª posição receberão R$ 2 mil cada.
A divulgação dos vencedores está prevista para o dia 27 de agosto, podendo ser postergada para 8 de setembro caso haja recursos. A expectativa é que o livro com a coletânea dos trabalhos seja lançado até o fim de 2023.





























































































