Brasília (DF) – A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) apresentou nesta quarta-feira (1º) os avanços da TV 3.0, sistema também chamado de DTV+, que promete mudar a relação entre o público e o televisor. O projeto, que já opera funcionalidades em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, coloca a estatal como operadora da Plataforma Comum, um ambiente digital integrado que deve centralizar canais federais e serviços essenciais do governo diretamente na tela do aparelho.
Antonia Pellegrino, presidente da EBC, descreveu a transição como uma revolução na democratização de informações. Ao ligar a televisão, o usuário não se deparará apenas com a grade linear tradicional, mas com uma interface de aplicativos. A ideia é que ferramentas como o SUS Digital, a plataforma gov.br e o portal Tela Brasil fiquem acessíveis a um clique, utilizando o eletrodoméstico de maior penetração nos lares brasileiros como um ponto estratégico de inclusão.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, que participou do evento ao lado de secretários e técnicos, pontuou que a iniciativa confere ao Brasil um protagonismo tecnológico na América Latina. Para o governo, a estrutura da TV 3.0 serve como modelo para outros países, ao unir a interatividade de programas ao vivo com a conveniência do conteúdo sob demanda.
Diferente do que ocorre no celular, onde o cidadão precisa realizar uma busca ativa por informações, a lógica da nova plataforma é oferecer o conteúdo antes mesmo de ser requisitado. João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, exemplificou como isso funcionará para um estudante que se prepara para o Enem: o sistema poderá exibir cursos gratuitos e materiais relevantes conforme o cronograma de estudos, com base em uma curadoria editorial planejada.
A tecnologia também promete avanços em acessibilidade. Wilson Wellisch, secretário de Radiodifusão, explicou que a TV 3.0 permitirá que o sinal de audiodescrição seja enviado de forma isolada para um fone de ouvido, permitindo que a pessoa com deficiência visual acompanhe o conteúdo com esse recurso enquanto os demais espectadores ouvem o áudio original normalmente, pelo monitor.
Na prática, a usabilidade foi demonstrada por Bráulio Ribeiro, diretor de Operações, Engenharia e Tecnologia da EBC. Com o uso de uma set-up box conectada à antena, ele navegou pela interface da DTV+. Além de acessar a programação da TV Brasil, o controle remoto permitirá interações diretas, como participar de enquetes durante programas jornalísticos e localizar serviços, como a unidade da Farmácia Popular mais próxima do usuário.
Para Pellegrino, esse movimento marca uma nova fase institucional para a empresa. Após 18 anos de trajetória na comunicação pública, a EBC agora assume a responsabilidade de ser o pilar de uma infraestrutura de serviços digitais. O desafio é consolidar essa plataforma como uma alternativa livre de desinformação, ancorada em uma política de inovação que busca otimizar recursos e modernizar o acesso à informação no país.






























































































